Uma força-tarefa federal resgatou 479 trabalhadores de condições análogas à escravidão em fiscalizações realizadas em todo o país ao longo de agosto. A Operação Resgate VI, coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, encontrou 75 mulheres, 13 crianças e adolescentes e 66 migrantes entre os resgatados, segundo balanço divulgado nesta semana.

Ao todo, foram 231 fiscalizações entre 1º e 31 de agosto, com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério Público Federal (MPF), da Defensoria Pública da União (DPU) e da Polícia Federal (PF).

A Região Sudeste concentrou o maior número de resgates, com 267 trabalhadores. Minas Gerais sozinho respondeu por 208 desse total, quase 8 em cada 10 resgates de todo o Sudeste.

Entre os resgatados, o Ministério do Trabalho contou 13 crianças e adolescentes em situação de trabalho análogo à escravidão.

Onde os trabalhadores foram encontrados

A maior parte das fiscalizações, 57,5%, ocorreu em áreas rurais, onde 292 pessoas foram resgatadas. Os setores mais atingidos foram a construção civil, com 85 resgates, e as lavouras de café, cebola e batata-inglesa, que juntas somaram 144.

O número de resgatados por setor aparece na tabela abaixo.

Trabalhadores resgatados por setor na Operação Resgate VI (dados do Ministério do Trabalho e Emprego, agosto de 2026)
SetorTrabalhadores resgatados
Construção civil85
Cultivo de café53
Cultivo de cebola47
Cultivo de batata-inglesa44
Lavoura temporária43
Coleta florestal29
Trabalho doméstico9

O levantamento oficial também registrou 66 trabalhadores migrantes entre os resgatados, vindos de países como Venezuela, Bolívia, Paraguai, Senegal e Guiné-Bissau. As fiscalizações alcançaram ainda outros 17 estados e o Distrito Federal, de São Paulo a Roraima.

O que acontece agora

Os fiscais lavraram 1.836 autos de infração e encontraram 1.192 trabalhadores sem carteira assinada. As empresas autuadas já pagaram R$ 1,4 milhão em verbas trabalhistas aos resgatados.

A Justiça do Trabalho ainda vai decidir sobre as indenizações por dano moral pedidas pelo MPT, que somam R$ 455,5 mil na esfera coletiva e R$ 675,5 mil na individual. A Operação Resgate reúne as mesmas instituições desde 2021 e chega à sexta edição.