A Polícia Federal encontrou uma conversa em que a lobista Roberta Luchsinger enviou ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, uma minuta de contrato para vender remédios à base de canabidiol ao Ministério da Saúde sem licitação. Luchsinger é amiga do filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Segundo reportagem publicada nesta terça-feira (18) pelo jornal O Globo, confirmada pela CNN Brasil, o documento previa a venda direta, sem licitação, de medicamentos à base de canabidiol ao Sistema Único de Saúde. As mensagens foram extraídas do celular de Luchsinger pela PF.
Ainda de acordo com a reportagem, com base nos autos da investigação, Luchsinger havia sido contratada por Antônio Carlos Antunes, o Careca do INSS, para tentar viabilizar o negócio dentro do ministério. O pagamento somou R$ 1,5 milhão, dividido em cinco parcelas de R$ 300 mil.
As tentativas de venda ao Ministério da Saúde não avançaram.
Marcola se afastou da campanha depois que as primeiras denúncias vieram a público. Segundo interlocutores dele, o ex-chefe de gabinete considerou o envio da minuta "inadequado".
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Marcola, disse à CNN Brasil que "não podemos comentar uma mensagem cuja autenticidade nem sequer foi atestada".
Ele afirmou ainda que "não houve nenhum encaminhamento do Marcola, não houve nenhum ato de ofício ou algo do gênero" dentro do governo.
As trocas de mensagens entre os dois se estenderam ao longo de 2024, com uma referência ao Dia das Mães daquele ano.
No mesmo período, segundo a reportagem de O Globo, com base nos autos da apuração da PF, Roberta emprestou R$ 217 mil a Marcola, valor já quitado, e comprou joias de diamante de cerca de R$ 9 mil a pedido dele. Não há, até aqui, imputação formal de que esses valores tenham servido de contrapartida pela minuta de contrato.
A defesa de Luchsinger não se manifestou sobre o caso, alegando sigilo do processo.
Quem mais aparece na investigação
Swedenberger Barbosa, o Berger, secretário-executivo do Ministério da Saúde à época, afirmou que sua função era receber pessoas e encaminhar demandas para análise técnica da pasta.
Lulinha não é apontado pela PF como parte da negociação do contrato: as mensagens são entre Luchsinger e Marcola.
O filho do presidente é alvo de três inquéritos no STF, dois deles sob relatoria do ministro André Mendonça e um terceiro, sobre vazamento de investigações, com o ministro Flávio Dino.
Antônio Carlos Antunes, o Careca do INSS, também é investigado em outra apuração ligada ao INSS. Todos os citados são investigados e nenhum foi condenado.








































