O TRE-RJ liberou nesta quinta-feira (17) a candidatura de Rebeca Ramagem (PL) à Câmara. Ela é mulher do ex-deputado Alexandre Ramagem, foragido nos EUA após condenação na trama golpista, e faz campanha à distância com totens de papelão pelo Rio.

"Do exílio a que a perseguição empurrou a minha família, a oito horas de voo do Rio. Não foi escolha: tive contas e salário bloqueados sem responder a processo algum", disse Rebeca à Folha, por mensagem intermediada por sua equipe.

Ela completou: "Na vitória, desembarco no meu Brasil para cumprir meu mandato do primeiro ao último dia".

O julgamento no TRE-RJ havia sido suspenso na segunda-feira (14) por pedido de vista da juíza Tathiana Costa. Antes da suspensão, o placar estava em 4 votos a 1 a favor do registro. Só o relator, juiz Paulo Cesar Salomão Filho, votou contra.

Em seu voto, a juíza Tathiana Costa afirmou que a candidatura "deixa de ser projeto autônomo da requerente para se tornar veículo de presença política de quem está impedido de concorrer".

A maioria do tribunal, porém, entendeu que a participação do marido na campanha não bastava para negar o registro.

Por que a candidatura foi questionada?

A candidatura foi questionada porque Alexandre Ramagem é presença constante nas redes sociais da campanha e aparece ao lado da mulher nos totens espalhados pelas ruas do Rio, o que levou a Procuradoria Regional Eleitoral a pedir explicações ao TRE-RJ.

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, foi condenado pelo STF a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado e por integrar organização criminosa armada, em setembro de 2025.

Ele deixou o Brasil pela fronteira de Roraima antes da sentença e hoje mora nos Estados Unidos. Foi preso por agentes de imigração dos EUA em Orlando, na Flórida, em abril deste ano, após uma blitz de trânsito, e solto três dias depois.

O Brasil já havia pedido a extradição dele ao governo americano. Os totens com as imagens do casal aparecem em atos de outros candidatos do PL-RJ, como no lançamento de Douglas Ruas, ao lado de Fernanda Bolsonaro, mulher de Flávio Bolsonaro.

Rebeca recebeu R$ 1,5 milhão do PL para a campanha, mais do que Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, e do que deputados federais da legenda que buscam a reeleição.

O que acontece agora

Com o registro liberado, Rebeca segue na disputa pela Câmara enquanto o marido permanece foragido, sem data prevista para retornar ao Brasil. A campanha segue baseada nos totens e em reuniões virtuais com eleitores, já que ela não pode fazer campanha presencial no país.