O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP e opositor de Lula (PT) em Brasília, evita criticar o presidente no Piauí para tentar se reeleger ao Senado. A estratégia busca o eleitor que vota em Lula, mas também em Ciro.

No Piauí, Ciro mantém distância da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) e concentra o discurso em entregas e recursos para os municípios do estado.

A equipe do senador criou um perfil de redes sociais dedicado só ao Piauí, no qual prioriza emendas e obras.

A explicação está no peso do petismo no estado: o PT governa o Piauí há mais de duas décadas, e Lula recebeu quase 77% dos votos válidos dos piauienses no 2º turno de 2022.

Ciro tenta atrair o eleitor que vota em Lula para presidente e no petista Rafael Fonteles para o governo do estado, mas quer o próprio nome para o Senado.

A disputa pela segunda vaga do Senado no Piauí é concorrida: 20 candidatos disputam as 2 vagas em jogo no estado, recorde histórico. Pesquisas recentes colocam Ciro em disputa acirrada pela vaga, atrás do adversário mais bem posicionado.

Aliados do senador dizem que, se Flávio Bolsonaro desembarcar em Teresina, Ciro deve evitar acompanhá-lo para não afastar o eleitor lulista que tenta conquistar.

Por que Ciro evita se expor no ano eleitoral?

Ciro é investigado na Operação Compliance Zero, que apura o esquema do Banco Master, suspeito de receber uma mesada de R$ 300 mil a R$ 500 mil de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, em troca de atuação favorável no Congresso.

O senador nega as acusações e classificou a investigação, aberta em maio, como "perseguição política" em ano eleitoral. Sua assessoria não respondeu a pedido de posicionamento sobre o caso feito pela Gazeta do Povo.

Ciro não é o único senador na mira do caso. O senador Jaques Wagner (PT-BA) também nega ter recebido vantagens de Vorcaro e enfrenta desgaste eleitoral semelhante, ainda que com vantagem maior nas pesquisas baianas.

O que acontece agora

Ciro segue a maratona de agenda no interior do Piauí até a votação, marcada para 4 de outubro. A Operação Compliance Zero segue em andamento na Polícia Federal, sem data prevista para conclusão.