O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registrou 107 candidatos trans entre os 20.511 postulantes às eleições de 2026, alta de 35% sobre 2022. Um levantamento da Folha de S.Paulo mostra que 20 deles concorrem por partidos classificados como de centro ou direita, como PSDB e MDB.
Os 107 candidatos representam 0,52% do total de postulantes ao pleito. Por cargo, 54 disputam vaga de deputado estadual, 50 concorrem à Câmara dos Deputados, dois são candidatos a deputado distrital e um disputa vice-governador.
A maior parte das candidaturas trans segue concentrada na esquerda, com PSOL (39), PT (16) e PDT (15) à frente. Entre as legendas de centro e direita, o PSDB lidera com 6 candidatos trans, seguido por MDB (4).
Completam a lista Avante, Solidariedade e PP, com 2 candidatos cada, além de Cidadania, União Brasil, PRD e Democrata, com um cada.
A classificação de cada partido no espectro político usa o GPS Partidário, ferramenta que situa as legendas da esquerda à direita pela prática política e não pela autodeclaração de cada uma.
Por que há candidatos trans em partidos de direita?
Segundo a pesquisadora Giulia Gouveia, da UFRRJ, a presença de pessoas trans em partidos contrários à pauta LGBTQIA+ não é necessariamente uma contradição. "Partidos políticos não são atores homogêneos", disse ela à Folha, lembrando que as legendas reúnem grupos e correntes internas com posições distintas.
Gouveia completou: "ser uma pessoa trans não significa ter a pauta trans como prioridade, assim como ser mulher não implica necessariamente defender pautas relacionadas às mulheres".
O caso mais citado é o de Sophia Barclay, candidata a deputada federal pelo PL em São Paulo, que se descreve como "trans de direita antiwoke" mas não declarou identidade de gênero ao TSE. "Não foi uma escolha minha", disse ela à reportagem.
Os números oficiais batem com a realidade?
Não exatamente: a declaração de identidade de gênero no registro eleitoral não é obrigatória, e o número real de candidatos trans tende a ser maior que o divulgado pelo TSE.
A ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) contabiliza 116 candidaturas trans, nove a mais que o número oficial do TSE. A entidade atribui a diferença a candidatos que pediram nome social sem declarar identidade de gênero, como no caso de Barclay.
Pela série histórica da ANTRA, as candidaturas trans saltaram de 53 em 2018 para 79 em 2022 e mais de 100 em 2026, crescimento a cada eleição desde 2014. A entidade cobra do TSE uma lista pública centralizada para facilitar a contagem.





























