Um documento revelado pelo jornalista Guilherme Amado detalha um plano de parceria entre Brasil e Estados Unidos para exploração de terras raras, com a marca "Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign" na capa. O autor identificado, André Marinho, nega qualquer ligação com a campanha do senador.

O documento tem 22 páginas e é datado de 19 de março. Ele propõe seis pilares para a parceria entre os dois países.

Entre eles: mudança na legislação de mineração, demanda garantida dos EUA, processamento dentro do Brasil, capital americano combinado a ativos brasileiros, e tratamento dos minerais como ativos de segurança nacional.

O plano projeta entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões em investimentos ao longo de 10 anos, com geração de até 1 milhão de empregos e impacto de até 2,5 pontos percentuais no PIB.

Por que o Brasil entraria nesse plano?

Em discurso na CPAC, nos Estados Unidos, em março, Flávio Bolsonaro disse que o "Brasil é a solução" para os EUA reduzirem a dependência da China em minerais críticos. Segundo ele, os EUA importam da China cerca de 70% desses minerais.

O tema já mobiliza o governo brasileiro: em agosto, Lula sancionou lei que dá ao Brasil poder de veto sobre minério estrangeiro, direção oposta à abertura proposta no documento ligado a Flávio.

A polêmica sobre financiamento estrangeiro

Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão, acusa a campanha de Flávio de receber recursos ilegais da Rockbridge Network, fundo americano. "Eles entraram na campanha do Flávio, naturalmente e ilegalmente", disse.

O empresário citado nas acusações, Pedro Sang, nega: "Nunca houve nenhum centavo transacionado, nem para virar membro nem para nenhum projeto". As acusações ainda carecem de comprovação formal.

O caso já motivou pedido do PT ao STF para investigar dinheiro trumpista na campanha de Flávio.

A revelação também ocorre na mesma semana em que a Abin elevou a nível crítico o risco de interferência dos EUA nas eleições.

O ponto em aberto

As acusações contra a campanha de Flávio ainda não foram comprovadas, e o autor do documento nega vínculo oficial com a candidatura.

A pergunta que fica é se a Justiça Eleitoral vai investigar a origem dos recursos citados no caso antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.