A Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) reduziu a previsão de exportação de soja em grão do Brasil para 115 milhões de toneladas em 2026, 400 mil toneladas a menos que a estimativa do mês anterior. É o primeiro corte mensal desde março.
A revisão veio depois que a China intensificou as compras de soja dos Estados Unidos nas últimas semanas, antes da visita do presidente Xi Jinping a Washington.
Mesmo com o corte, a previsão de exportação ainda representa alta de 6,3% sobre 2025. As exportações acumuladas até setembro somam 102,6 milhões de toneladas.
Em contrapartida, a Abiove elevou a estimativa de processamento da soja no Brasil para 63,5 milhões de toneladas em 2026, um novo recorde para o setor.
A produção de farelo de soja foi projetada em 48,9 milhões de toneladas, alta de 0,4% ante o mês anterior, com exportações mantidas em 25,3 milhões de toneladas.
O óleo de soja deve somar 12,8 milhões de toneladas produzidas, com exportações elevadas para 1,8 milhão de toneladas, alta de 5,9% sobre a estimativa anterior.
"Seguimos acompanhando os indicadores de oferta e demanda com cautela para garantir o suprimento regular de grãos e derivados ao longo do ano", disse Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove.
O recuo na soja contrasta com outro produto do agro brasileiro. As exportações de café subiram mais de 50% em setembro, segundo dado divulgado na mesma semana.
O setor também lida com outra pressão neste momento. O preço recorde do diesel nos Estados Unidos já ameaça encarecer a colheita no Brasil.
O produtor brasileiro também lida com o mercado europeu. Executivos do setor dizem que as restrições ambientais da União Europeia são administráveis com novos mercados, à medida que os preços das commodities sobem.
O que acontece agora
A Abiove volta a atualizar as projeções no próximo mês, quando o efeito da disputa entre China e Estados Unidos pelas exportações de soja deve ficar mais claro.





























