A Polícia Federal deve intimar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula, para depor sobre negócios com a lobista Roberta Luchsinger. Não há denúncia oferecida nem acusação formal contra ele: a intimação é para prestar depoimento no curso de um inquérito. Segundo o material periciado que instrui a apuração, as mensagens do celular da lobista registram a compra de R$ 9,2 mil em joias para o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola.
Em nota, a defesa de Lulinha contesta a autenticidade do material e classifica sua divulgação como "vazamento criminoso e fora de contexto".
O inquérito foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de tráfico de influência dentro do governo federal. Segundo o levantamento da PF, a intimação só deve ocorrer depois que a perícia concluir a análise de todas as mensagens do celular de Luchsinger.
"Emite a NF pro Cleber", escreveu Lulinha à lobista em 23 de julho de 2023, segundo as mensagens periciadas. Roberta respondeu na mesma conversa: "Já fiz."
Meses depois, em 22 de março de 2024, a lobista voltou a escrever a Lulinha dizendo que os dois "trabalham em nível diferenciado" e que "nosso futuro é Suíça", de acordo com o material que compõe o inquérito.
Em 29 de abril de 2024, ainda segundo as mensagens periciadas, Marcola pediu à lobista referências de joias. Ela enviou fotos de diamantes solitários e um colar; ele aprovou a peça com um simples "boa".
De acordo com o material que instrui o inquérito, o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, teria transferido R$ 1,5 milhão a Roberta Luchsinger ao longo do período investigado. Uma única transferência, de R$ 1,1 milhão, teria sido registrada com a descrição "filho do rapaz", segundo o mesmo material. A reportagem não teve acesso a manifestação do empresário.
As três frentes da investigação
Segundo a apuração da PF, o inquérito reúne três linhas: possível influência sobre a autorização de produtos à base de cannabis no Ministério da Saúde, intervenções em processos ligados à Dataprev e um núcleo mais amplo de negócios e tráfico de influência no governo. Todas as frentes estão em fase de investigação, sem conclusão ou imputação formal.
As mensagens também citam uma reunião entre Lulinha, Marcola e o ex-secretário executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, o Berger, que teria ocorrido em março de 2024, conforme o material periciado.
Um dos trechos do material apurado menciona ainda um negócio envolvendo a estatal Telebras, no qual o nome de Lulinha teria sido citado por um terceiro em negociação comercial, episódio que não apareceu nas primeiras coberturas do caso sobre joias e intimação.
O caso é desdobramento das mensagens entre Fábio Luís e a lobista investigada reveladas há alguns dias.
Ainda não há data marcada para o depoimento.








































