Os Estados Unidos fecharam nesta sexta-feira (18) um acordo com a Dinamarca que garante a Washington controle permanente sobre a segurança da Groenlândia, segundo comunicado da Casa Branca. O texto proíbe adversários dos EUA de instalar bases militares na ilha sem autorização americana.

O acordo também prevê ampliação da presença militar dos Estados Unidos na região. "Por minha determinação, trabalhamos com representantes da Dinamarca e da Groenlândia para garantir que os Estados Unidos terão, para sempre, completa capacidade de fazer o que for necessário na Groenlândia", afirmou Trump.

A premiê Mette Frederiksen disse que o acordo "reconhece a soberania do reino e o direito à autodeterminação" da Groenlândia. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o pacto resolve "de forma permanente e completa" as preocupações de segurança dos EUA.

A Groenlândia segue como território dinamarquês. Mas fica proibida de receber bases ou tropas de países rivais dos EUA sem autorização por escrito de Washington.

A assinatura formal está prevista para a próxima Assembleia Geral da ONU, ainda pendente de aprovação dos parlamentos em Copenhague e em Nuuk.

Que pressão semelhante o Brasil enfrenta dos EUA?

O Brasil enfrenta há quase um ano um pacote de 21 exigências dos EUA para aliviar o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, que mistura pontos comerciais a condições sobre a eleição presidencial deste ano.

A primeira versão do documento, entregue em outubro de 2025 ao chanceler Mauro Vieira em Washington, pedia garantias de eleições "livres e justas" e participação sem restrições de "dissidentes políticos", expressão que o governo brasileiro interpretou como referência a Jair Bolsonaro.

Uma segunda versão, enviada em 9 de janeiro, manteve pontos sobre acesso a minerais críticos brasileiros e comércio digital, mas retirou as exigências internas mais explícitas.

O governo Lula rejeitou as duas propostas. Segundo o chanceler Mauro Vieira, questões comerciais poderiam ser discutidas, mas democracia, soberania e assuntos políticos internos não seriam moeda de troca. O presidente afirmou que o pacote foi enviado ao "arquivo morto".

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já classificava a tarifa como interferência eleitoral contra Lula e previa solução só após a eleição de outubro. É o diagnóstico que levou a Abin a elevar para crítico o risco de interferência dos EUA no pleito.

O que acontece agora

Na Groenlândia, o próximo passo é a assinatura do acordo, à margem da Assembleia Geral da ONU, condicionada à aprovação dos parlamentos dinamarquês e groenlandês.

No caso brasileiro, exceções pontuais já foram concedidas a café, suco de laranja e carne bovina, mas o acordo amplo sobre o tarifaço segue travado, sem data marcada para uma nova rodada de negociação.