O PT concentra recursos no interior de São Paulo para tentar reduzir a vantagem do governador Tarcísio de Freitas na disputa pela reeleição em 2026. Pesquisas recentes mostram Tarcísio à frente do candidato petista, Fernando Haddad, inclusive num eventual segundo turno.
Segundo o Datafolha, pesquisa com 1.608 entrevistados em 71 municípios entre 1º e 3 de junho, registrada no TSE sob os números SP-01703/2026 e BR-06481/2026, Tarcísio tem 46% contra 30% de Haddad no cenário estimulado, com margem de erro de 2 pontos.
O quadro se repete entre os evangélicos, onde Tarcísio soma 59% contra 20% de Haddad, segundo a mesma pesquisa.
No mesmo levantamento, a simulação de segundo turno aponta Tarcísio com 53% e Haddad com 37%. O instituto Paraná Pesquisas, em pesquisa de 1.600 entrevistados divulgada em junho, chegou a uma vantagem de 11,5 pontos para o governador.
Em 2022, Tarcísio já havia vencido Haddad por 55,27% a 44,73% dos votos válidos, com domínio no interior paulista. Haddad venceu apenas na capital e em parte da região metropolitana.
Qual é a estratégia do PT para o interior?
O partido fez viagens a cidades como Santa Bárbara d'Oeste, Rio Claro e Piracicaba, com apoio de cooperativas, sindicatos e a Unesp. A convenção estadual do PT, marcada para 25 de julho em Campinas, acontece pela primeira vez fora da capital.
"O Tarcísio está se valendo da mesma carta na manga que o PSDB: um interior do estado mais alinhado aos valores conservadores", avalia o cientista político Leandro Consentino, do Insper.
A oposição também aposta em cinco eixos para desgastar o governador: segurança pública, políticas para mulheres, custo de vida e tarifas, pedágio free flow e educação.
Os feminicídios em São Paulo subiram de 42 para 56 casos no primeiro bimestre de 2026, alta de 33%. As mortes por intervenção policial saltaram de 421 em 2022 para 813 em 2024, segundo dados usados pela oposição.
"A questão é saber se o Haddad consegue levar a disputa para o segundo turno e, com isso, tirar o Tarcísio da campanha de Flávio Bolsonaro", avalia o cientista político Eduardo Grin, da FGV.
O ponto em aberto
As pesquisas mostram vantagem consistente de Tarcísio desde março, em três institutos diferentes. A eleição, porém, chega em duas semanas, no dia 4 de outubro.
A pergunta que fica é se a estratégia de desgaste no interior ainda tem tempo de mudar um cenário que se repetiu pesquisa após pesquisa.





























