O Distrito Federal reúne eleitores de 100 etnias indígenas diferentes, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Juntos, porém, somam apenas 763 pessoas com idade de voto obrigatório, o equivalente a 0,04% do eleitorado da capital federal, um grupo pequeno e disperso pela cidade.

A distribuição vai de povos com centenas de representantes, como Baré e Pataxó, a etnias com um único eleitor na capital, caso de Yanomami e Kadiwéu. Em média, são menos de oito eleitores por etnia declarada.

Segundo o TSE, o campo "raça/cor" do cadastro eleitoral registra a autodeclaração em categorias gerais, entre elas "indígena". Um campo separado, mais detalhado, indica a etnia específica de cada eleitor.

No início de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) fez uma busca ativa em comunidades indígenas de Brasília. A ação integra o programa nacional Seu Voto Importa, do TSE, e buscou mapear dificuldades de acesso ao voto.

Servidores do tribunal visitaram as etnias Tuxá e Guajajara, na região Noroeste da capital, para entender as demandas de transporte até as zonas eleitorais.

Para o cientista político Leandro Gabiati, o tamanho pequeno do grupo não reduz a importância da ação.

"Uma barreira que impeça algumas dezenas ou centenas de pessoas de votar pode parecer estatisticamente irrelevante no universo geral do eleitorado, mas pode representar uma restrição significativa para aquela comunidade", afirma Gabiati.

Candidaturas indígenas batem recorde no país, mas não no DF

O Brasil tem 191 candidaturas indígenas registradas para 2026, recorde histórico e alta de 125% sobre as 85 candidaturas de 2014, segundo levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). O número já havia subido para 133 em 2018 e 186 em 2022.

A distribuição por cargo mostra o avanço mais forte para deputado federal, com 75 candidaturas, três vezes mais que as 25 de 2014.

No Distrito Federal, porém, a diversidade do eleitorado não se refletiu nas urnas. Apenas três candidaturas indígenas a deputado distrital foram registradas em 2026.

Uma dessas três candidaturas não chegou a disputar a eleição. A dentista Elainy Togojebado, do povo Bororo, teve a candidatura à Câmara Legislativa do DF (CLDF) indeferida pelo TRE-DF. Ela concorria pelo Mandato Coletivo Elas Indígenas.

Segundo o tribunal, a transferência de domicílio eleitoral dela só foi concluída em 6 de abril, dois dias depois do prazo de seis meses exigido para candidatos.

A defesa alegou que Elainy procurou os cartórios em 1º de abril, mas eles estavam fechados pelo feriado da Semana Santa.

O Distrito Federal tinha entre 5.811 e 5.813 pessoas indígenas em 2022, cerca de 0,21% da população, distribuídas por mais de 78 etnias, segundo o Censo do IBGE. A Câmara Legislativa nunca teve um deputado distrital indígena.

O ponto em aberto

O Distrito Federal chega a esta eleição com mais etnias indígenas registradas no eleitorado, 100 ao todo, do que cadeiras já ocupadas por indígenas na própria Câmara Legislativa, que é nenhuma.

A candidatura barrada por dois dias de atraso no registro de domicílio deixa em aberto se essa distância muda nesta eleição.

O TSE já discute mudanças no transporte eleitoral para comunidades indígenas. Outros grupos também batem recorde de candidaturas em 2026, caso das candidaturas de pessoas autistas.

Já o eleitor de qualquer etnia tem até 3 de outubro para validar o e-Título antes do primeiro turno.