Vence nesta segunda-feira (17) o prazo de três dias úteis que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) deu ao Discord para suspender a função de transmissão ao vivo, o "Go Live", no Brasil. A equipe técnica do órgão analisa nesta segunda um pedido da empresa para reverter ou adiar a medida.

A ANPD abriu investigação em 7 de agosto e adotou a medida cautelar em 12 de agosto, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (Lei nº 15.211/2025) e na Lei nº 9.784/1999, que trata de medidas administrativas preventivas.

O que motivou a decisão

A investigação foi aberta depois da morte de uma adolescente de 13 anos, em julho, em Naviraí (MS).

Segundo apuração da ANPD, ela fez uma transmissão ao vivo na plataforma, vista por mais de 200 usuários, na qual teria sido induzida a tirar a própria vida.

Dados do SaferNet Brasil citados pela ANPD mostram 406 denúncias relacionadas ao Discord nos sete primeiros meses de 2026, contra 264 no mesmo período de 2025 — alta de cerca de 54%.

Em nota, o Discord afirmou: "O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovam ou incentivem violência".

O que o Discord pediu

A empresa pediu à ANPD a revogação da suspensão ou, alternativamente, um prazo adicional de pelo menos 15 dias úteis para se adequar, além dos três dias úteis já concedidos.

A suspensão determinada pela ANPD abrange o "Go Live" e recursos equivalentes de transmissão e compartilhamento de vídeo, incluindo compartilhamento de tela e retransmissão, para usuários no Brasil. A idade mínima para ter conta no Discord é 13 anos.

Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente, 24 horas, pelo telefone 188.