Líderes do Centrão intensificaram a aproximação com o presidente Lula nas últimas semanas, evitando declarar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Davi Alcolumbre (Senado) e Hugo Motta (Câmara) já se reuniram com Lula, e Motta declarou apoio explícito à reeleição do petista em ato na Paraíba, em 10 de maio.
O cálculo por trás do gesto
Segundo reportagem do Correio Braziliense, o bloco avalia que uma vitória de Flávio Bolsonaro "não está no radar" depois dos escândalos que envolveram o nome do senador no caso do Banco Master.
Pesa também o interesse dos próprios líderes. A reeleição às presidências do Senado e da Câmara passa pela indicação do chefe do Executivo, o que torna a relação com quem ocupa o Planalto um ativo político direto.
Alcolumbre e Lula já se reuniram três vezes recentemente, incluindo um encontro no Palácio da Alvorada em 14 de agosto. Os dois presidentes tinham ficado cerca de quatro meses sem se falar antes dessa reaproximação.
O PP e o União Brasil adotaram neutralidade formal na disputa presidencial. Arthur Lira e Ciro Nogueira evitaram indicar um vice para a chapa de Flávio Bolsonaro, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) foi barrada como opção ao cargo.
Reação do lado de Flávio Bolsonaro
Aliados do senador minimizam o isolamento. Argumentam que líderes como Alcolumbre e Motta vão se aproximar dele caso vença a eleição.
Em resposta a uma avaliação de Kassab sobre suas chances, Flávio publicou nas redes sociais: "Não sei como os outros candidatos a presidente que se dizem de direita pensam, mas eu sempre tive muito claro".
Uma dependência que não é de hoje
O apoio de líderes do Centrão a quem ocupa o Planalto não é novidade nesta ou em outras eleições. A reeleição às presidências da Câmara e do Senado depende do aval do Executivo em exercício, qualquer que seja o partido no poder.
O episódio atual mostra como essa dependência institucional pesa tanto quanto o cálculo eleitoral na hora de um bloco fechar posição.
























