A China deu mais um passo para ampliar a entrada de produtos brasileiros em seu mercado ao disponibilizar os procedimentos necessários para a exportação de polpas e frutas congeladas produzidas no Brasil. A medida permite que empresas brasileiras interessadas iniciem o processo de habilitação para vender esses produtos ao país asiático.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) incluiu em seu sistema o modelo de certificado sanitário que será exigido nas exportações brasileiras desses itens. "Com isso, os estabelecimentos interessados já podem dar entrada no registro junto ao sistema China Import Food Enterprise Registration (Cifer), etapa obrigatória para acessar o mercado chinês", informou a pasta.

Quais frutas estão contempladas

A autorização vale para produtos obtidos de espécies de frutas já reconhecidas como alimentos pelas autoridades chinesas. Entre elas estão açaí, manga, goiaba, abacaxi e maracujá, além de outras frutas permitidas para consumo humano no país. Pelas regras chinesas, frutas que ainda não tenham sido reconhecidas como alimento seguem sujeitas a procedimentos regulatórios específicos previstos na legislação local para novos alimentos.

Como funciona a habilitação

O registro no sistema Cifer deve ser feito diretamente pelo estabelecimento exportador, responsável por apresentar a documentação exigida. Após a análise e a aprovação pela autoridade chinesa, a empresa recebe um número de registro — requisito indispensável para realizar embarques ao país. As exportações também deverão ser acompanhadas do certificado sanitário oficial acordado entre Brasil e China.

Antes de iniciar o processo, o Ministério da Agricultura orienta os exportadores a consultarem os requisitos e procedimentos estabelecidos pelas autoridades chinesas. Após a aprovação do registro pela GACC e a emissão do certificado sanitário pela autoridade brasileira competente, as vendas poderão ser feitas de acordo com as exigências sanitárias e aduaneiras em vigor. Não há prazo específico informado para a conclusão das habilitações.

Fruticultura vem de semestre recorde

A abertura chega em um momento de expansão do setor. Segundo levantamento da Abrafrutas, associação que representa a fruticultura brasileira, as exportações de frutas do país somaram US$ 707,9 milhões e 619,1 mil toneladas no primeiro semestre de 2026 — alta de 20,64% em valor e de 13,32% em volume sobre o mesmo período de 2025, quando haviam sido US$ 586,8 milhões e 546,3 mil toneladas.

No recorte por produto, a maçã puxou o resultado, com salto de 223,55% em valor, seguida por abacate (72,52%), manga (42,41%) e melancia (30,59%). Na direção oposta, uva (-27,92%) e banana (-15,63%) recuaram. Para o presidente da Abrafrutas, Waldyr Promicia, "o primeiro semestre confirma a capacidade do setor de responder aos desafios com eficiência, qualidade".