A colheita da safra brasileira de café chegou a 84% da produção estimada, mas segue atrasada em relação aos anos anteriores. Em igual período de 2025, 94% do volume já havia sido retirado das lavouras, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A média dos últimos cinco anos para a época é de 90%.

O avanço foi de seis pontos percentuais em uma semana, favorecido pelo retorno do tempo seco às principais regiões produtoras.

O atraso está concentrado no café arábica, que representa a maior parte da produção de Minas Gerais. A colheita da variedade alcançou 77%, ante 91% no mesmo período do ano passado e média histórica de 85%.

Já o canéfora, grupo que reúne conilon e robusta, está com os trabalhos praticamente concluídos: 99% colhido, resultado semelhante a 2025 e ligeiramente acima da média de 98% dos últimos cinco anos.

Minas Gerais concentra a maior parte da produção brasileira de arábica.

O estado deverá colher 33,4 milhões de sacas de 60 quilos em 2026, segundo a Conab, praticamente metade das 66,7 milhões de sacas previstas para o país.

A estimativa mineira é 29,8% superior à da temporada anterior, favorecida pelo ciclo de bienalidade positiva dos cafezais e por condições climáticas boas antes da floração e durante a formação dos grãos.

Risco para a qualidade dos lotes

As chuvas fora de época prejudicaram a retirada do café das lavouras e a secagem nos terreiros. O excesso de umidade também aumentou a queda de frutos no solo, o que pode comprometer a qualidade de parte dos lotes.

O problema atingiu principalmente o Sul de Minas, a maior região produtora de arábica do país.

O tempo seco dos últimos dias permitiu retomar os trabalhos, mas não eliminou o atraso acumulado.

A entrada mais lenta do café novo mantém o mercado atento à oferta brasileira: os estoques certificados na Bolsa de Nova York seguem baixos, o que aumenta a reação das cotações a qualquer novo problema climático.

Para o país inteiro, a Conab estima 45,8 milhões de sacas de arábica em 2026, alta de 28% sobre o ano anterior. A previsão para o canéfora é de 20,9 milhões de sacas, alta de 0,8%.

Nas próximas semanas, o produtor deve concentrar esforços na conclusão da colheita e na secagem dos grãos. Em Minas Gerais, a qualidade dos lotes vai determinar quanto da safra maior chega aos mercados que pagam mais pelo café.