Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia nesta segunda-feira (10) e foi sentido em Manaus, a quase 3 mil km do epicentro. Moradores de prédios altos nos bairros Aleixo, Adrianópolis e Centro relataram tremores por volta das 8h45, e o Corpo de Bombeiros do Amazonas (CBMAM) recebeu mais de nove chamados só na manhã.

O epicentro ficou a 5 km de San José del Palmar, no departamento de Chocó, a uma profundidade de 107 quilômetros. Na Colômbia, o terremoto provocou desabamentos e deixou pelo menos 80 mortos, segundo balanço ainda parcial das autoridades colombianas.

A cidade de Pereira, no departamento de Risaralda, concentra o maior número de vítimas. O governo colombiano decretou calamidade pública para acelerar o envio de recursos às áreas atingidas.

Em Manaus, o susto veio sem aviso.

Uma moradora do bairro Aleixo, que mora no 15º andar de um prédio e preferiu não se identificar, relatou o momento em que sentiu o tremor, por volta das 8h55.

"Parecia que estava sentindo vertigem, até olharmos os lustres e vimos que tava tudo balançando", disse. Segundo ela, o movimento durou cerca de dez minutos.

Segundo o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, a corporação concentrou as vistorias nos bairros Aleixo, Adrianópolis e Centro, que reúnem os prédios mais altos da cidade. A prioridade foi checar estrutura, colunas, pilares e vigas dos edifícios.

Até a última atualização, nenhum dano identificado exigiu a evacuação de moradores por determinação do CBMAM. Ainda assim, um prédio do bairro Ponta Negra foi evacuado por precaução até a situação se normalizar, segundo a moradora Babi Marina.

O tremor também foi sentido no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), no Centro de Manaus, onde servidores e magistrados relataram o movimento durante o expediente. A Secretaria de Infraestrutura do tribunal confirmou que não houve dano estrutural ao prédio.

Segunda vez no ano

Não é a primeira vez em 2026 que um terremoto distante é sentido em Manaus. Em 24 de junho, dois tremores atingiram a Venezuela: magnitude 7,2 perto de San Felipe e, 38 segundos depois, magnitude 7,5 perto de Morón.

Os dois também abalaram prédios na capital do Amazonas e levaram à evacuação de edifícios em bairros de Belém.

Muniz afirmou que o Amazonas não fica sobre limite de placas tectônicas, o que torna esse tipo de episódio incomum na região. Solos sedimentares como o da bacia amazônica podem amplificar vibrações de terremotos distantes.

É esse efeito que explica por que moradores de Manaus sentem abalos com origem a milhares de quilômetros de distância. O CBMAM orientou síndicos e administradores de prédios a manter os moradores calmos durante episódios como este.

Um protocolo para a próxima vez

Duas vezes em menos de dois meses, prédios altos de Manaus tremeram por causa de terremotos que aconteceram do outro lado do continente: em junho, na Venezuela; agora, na Colômbia.

O CBMAM não informou se pretende criar um protocolo formal para esse tipo de ocorrência recorrente, distinto dos planos já existentes para incêndio ou alagamento. Até aqui, cada episódio segue sendo tratado como vistoria pontual, caso a caso.