A secretária adjunta de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo, Cássia Aparecida Travensolo, convocou cerca de 30 supervisores de assistência social, pelo WhatsApp, para a convenção do Republicanos que oficializou a candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas, em 1º de agosto. A Prefeitura nega ter autorizado o convite.

"Pessoal, importante a presença de vocês", escreveu Travensolo no grupo, segundo mensagens obtidas pelo colunista Vinicius Passarelli, do Metrópoles. Junto com o texto, ela enviou o link de cadastro para o evento.

A secretária também fez questão de dizer que o convite partiu do próprio prefeito Ricardo Nunes (MDB), o que deu à mensagem peso hierárquico maior que uma simples sugestão entre colegas.

A convenção estadual do Republicanos aconteceu em 1º de agosto e oficializou a candidatura de Tarcísio à reeleição no governo de São Paulo.

Ricardo Nunes acompanhou o governador ao evento, ao lado do candidato a vice Felício Ramuth (PSD) e dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o artigo 73 da Lei das Eleições (Lei 9.504/97) proíbe ceder ou usar servidor público, ou os serviços dele, em benefício de candidato durante o horário de expediente. A exceção vale só para quem está de licença.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo negou ter autorizado a convocação. Em nota, a gestão informou que "não orienta, autoriza ou compactua com qualquer tipo de convocação de servidores públicos para participação em atividades de natureza político-eleitoral".

A nota não diz se Travensolo vai responder por algo.

Um episódio parecido, em 2024

Não é a primeira vez que uma convocação de servidor pelo WhatsApp para evento de Nunes vira caso público.

Em abril de 2024, durante a epidemia de dengue em São Paulo, uma supervisora da Supervisão Técnica de Saúde de Perus, na zona norte, convocou agentes comunitários de saúde para um evento do prefeito, sem uniforme nem crachá, numa sexta-feira.

Depois que o Metrópoles publicou prints e vídeos das mensagens, a Prefeitura afastou a servidora do cargo de chefia e abriu apuração interna.

Desta vez, até a publicação desta reportagem, a gestão só divulgou a nota de negativa, sem confirmar afastamento ou apuração sobre Travensolo.

Falta saber se haverá punição

Em 2024, o desfecho de um caso parecido foi o afastamento da servidora do cargo de chefia, dias depois de a Prefeitura confirmar a apuração.

Desta vez, a nota oficial nega autorização mas não diz se alguém vai responder pelo episódio, nem se Cássia Travensolo segue no cargo.