O Brasil pode ultrapassar os Estados Unidos como maior exportador agrícola do mundo em 2026, segundo reportagem do Financial Times com dados do USDA. Em 2025, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas contra US$ 169,2 bilhões do Brasil, diferença de apenas 1,2%, a menor distância já registrada entre os dois países.
Entre 2020 e 2025, a vantagem americana encolheu de US$ 50 bilhões para US$ 2,1 bilhões. Em 2005, os EUA exportavam 137% a mais que o Brasil no setor agrícola.
No primeiro semestre de 2026, as exportações do agro brasileiro somaram US$ 87 bilhões, alta de 6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. É recorde para o período, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A disputa também aparece no milho. Duas décadas atrás, os Estados Unidos respondiam por 68% do mercado mundial do grão. Hoje, a fatia caiu para cerca de 30%.
Parte da mudança vem da guerra tarifária entre Estados Unidos e China. A China impôs tarifa de 20% sobre a soja americana depois do anúncio de tarifas globais de Trump, na primavera do hemisfério norte deste ano.
Entre março de 2025 e fevereiro de 2026, as exportações agrícolas dos EUA para a China caíram quase US$ 15 bilhões. As vendas de soja, que somaram mais de US$ 12 bilhões em 2024, recuaram para US$ 3 bilhões em 2025.
Nesse período, a China passou a comprar mais grão do Brasil e da Argentina, que suspendeu temporariamente os impostos de exportação.
Nos Estados Unidos, o impacto chegou aos produtores. "É um momento sombrio para muitos agricultores", disse Aaron Lehman, presidente da Iowa Farmers Union.
"Já não somos mais o fornecedor mundial de soja", afirmou Corey Goodhue, agricultor do estado de Iowa.
Trump prometeu usar parte da arrecadação com tarifas para ajudar os produtores americanos. A China, por sua vez, se comprometeu a comprar ao menos 25 milhões de toneladas de soja dos EUA por ano em 2026, 2027 e 2028.














