O investimento inicial na mina de terras raras que a mineradora australiana Meteoric Resources pretende erguer no Sul de Minas Gerais foi fixado em US$ 498,4 milhões pelo Estudo de Viabilidade Definitivo (DFS, na sigla em inglês) do Projeto Caldeira, divulgado nesta sexta-feira (31). O valor é 12,5% superior aos US$ 443 milhões estimados no estudo preliminar e embute uma reserva de contingência de US$ 45,3 milhões.

O projeto fica na região de Poços de Caldas e explora depósitos de argila iônica. Segundo o estudo, a operação terá capacidade inicial de processar 6 milhões de toneladas de minério por ano e produzir, em média, 12.500 toneladas anuais de óxidos de terras raras, das quais 3.900 toneladas de neodímio e praseodímio (NdPr) — os elementos usados nos ímãs permanentes de carros elétricos e turbinas eólicas. Uma expansão prevista para sete anos depois do início ampliaria a capacidade em cerca de 20%.

Retorno e cronograma

O DFS calcula um valor presente líquido pós-impostos de US$ 847 milhões a preços spot, com taxa interna de retorno de 24%. Nos preços projetados pela companhia, os números sobem para US$ 2,721 bilhões e 47%. O custo operacional médio estimado é de US$ 11,68 por quilo de óxido de terras raras ao longo da vida da mina, que o estudo projeta em mais de 20 anos.

A reserva provável foi atualizada para 151 milhões de toneladas, com teor médio de 3.524 ppm, dentro de um recurso mineral total identificado de 1,63 bilhão de toneladas. A empresa já obteve a licença prévia da primeira etapa e espera a licença de instalação no quarto trimestre de 2026 para começar a construir. A obra deve durar cerca de dois anos após a decisão final de investimento, e a conexão à rede elétrica, com fontes renováveis, está prevista para 2028.

Para o município e a região, o estudo projeta cerca de 1.200 empregos na fase de construção e cerca de 500 postos permanentes na operação. O documento afirma que "as argilas processadas serão desaguadas, empilhadas a seco e, em sua maioria, devolvidas às áreas já mineradas".

Stuart Gale, diretor-gerente e presidente-executivo da Meteoric, afirmou que o projeto apresenta retornos econômicos fortes mantendo resiliência em diferentes condições de mercado e posiciona o Caldeira como fornecedor relevante de terras raras no longo prazo. A companhia ressalva que nenhum contrato é vinculante: as negociações de venda, processamento e financiamento seguem em curso com empresas sul-coreanas, americanas e europeias.

Brasil tem a 2ª maior reserva e uma única mina

O país concentra a segunda maior reserva de terras raras do mundo, cerca de 21 milhões de toneladas, ou aproximadamente 23% do total global, segundo a Agência Brasil. Os depósitos estão em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.

A exploração, porém, ainda é incipiente: há uma única mina em produção, a Pela Ema, operada pela Serra Verde em Minaçu (GO), em atividade desde 2024. Em 2024, os pedidos de pesquisa de terras raras no Brasil cresceram 291%, com 1.370 autorizações concedidas, principalmente na Bahia, em Minas Gerais e em Goiás. O gargalo brasileiro não está apenas na extração: as etapas de beneficiamento e refino seguem pouco desenvolvidas no país.