A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo abriu sindicância para apurar a morte de Mariana dos Santos Cândido, de 41 anos, ocorrida no dia 29 de julho, um dia depois de ela passar pela primeira colonoscopia da vida no Hospital Municipal Prof. Dr. Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo, na zona leste da capital paulista. O caso também é investigado pela Polícia Civil.
O exame foi feito na terça-feira, 28 de julho. Segundo a Guia de Encaminhamento de Cadáver, a paciente sofreu laceração da parede mucosa intestinal durante o procedimento. Ela passou por uma laparotomia de urgência com colectomia segmentar — retirada parcial do intestino grosso — em uma cirurgia que durou seis horas, e deixou o centro cirúrgico em ventilação mecânica. Na UTI, apresentou complicações graves, entre elas sangramento e queda de pressão arterial. Morreu na quarta-feira.
A médica responsável pela cirurgia informou à família que não se tratava de uma simples perfuração, mas de "uma mutilação", e que 50% do intestino da paciente havia sido danificado.
O que dizem a família e a Secretaria
Tia de Mariana, Mara Pongelupi relatou a demora durante o exame. "Ela entrou para a colonoscopia e começou a demorar. Começou uma agitação das enfermeiras", disse. Segundo ela, a equipe do hospital "disseram apenas para a gente rezar, pois não tinha muito o que fazer".
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde afirmou: "A SMS lamenta profundamente a perda da paciente e a apuração será rigorosa em relação à conduta médica adotada. A direção do hospital segue à disposição da família". A pasta não informou quais protocolos foram aplicados nem detalhes sobre a equipe que conduziu o exame.
O serviço de endoscopia da unidade é prestado por empresa terceirizada, a Clínica de Endoscopia Salinas, que atende o hospital há 25 anos, segundo a secretaria. A sindicância aberta pela SMS envolve a clínica. As fontes consultadas não trazem manifestação da Clínica de Endoscopia Salinas sobre o caso.
Investigação em curso
A morte foi registrada como suspeita e acidental no 62º Distrito Policial. A Polícia Civil requisitou exames periciais e o laudo do Instituto Médico Legal (IML). Até a última atualização deste texto, não havia conclusão da sindicância nem do inquérito, e nenhuma responsabilidade foi apontada pelas autoridades. Nenhum profissional envolvido no atendimento foi identificado pelos órgãos que apuram o caso.














