O preço do petróleo Brent superou US$ 92 o barril nesta quinta-feira (30), pressionado pela nova escalada militar no Oriente Médio. As forças dos Estados Unidos voltaram a bombardear o Irã, e Teerã respondeu horas depois com mísseis e drones contra instalações americanas na Jordânia e no Kuwait.

Segundo o Comando Central americano (Centcom), o bombardeio atingiu "centros de comando e instalações utilizadas pela Guarda Revolucionária para operações com drones". A ofensiva durou duas horas e terminou às 2h no horário do Irã — 19h30 em Brasília, ainda na noite de quarta-feira (29).

O Centcom apresentou a ação como resposta a ataques iranianos contra posições norte-americanas na região. "Os ataques são uma resposta contundente às tentativas de ataques iranianos", afirmou o comando, que informou ter interceptado os mísseis balísticos disparados pelo Irã — cinco deles derrubados pelas Forças Armadas da Jordânia. Horas antes da operação, o presidente Donald Trump havia dito a jornalistas na Casa Branca: "Então agora é nossa vez". Até a última atualização, não havia balanço divulgado de vítimas dos bombardeios.

Estreito de Ormuz no centro da disputa

O controle do Estreito de Ormuz é tema central das negociações entre os dois países. Antes da guerra, passava pelo estreito 20% da produção mundial de petróleo e de gás natural liquefeito.

O que o mercado já havia precificado

Na véspera, os preços internacionais já haviam reagido à promessa de retaliação feita por Trump. O Brent para setembro fechou em alta de 7,9%, a US$ 90,74 o barril, e o contrato para outubro subiu 7,32%, a US$ 88,09. O WTI, referência americana, avançou 6,56%, a US$ 84,46. Estoques semanais dos Estados Unidos muito abaixo do previsto reforçaram a alta.

"Isso poderia manter os preços do petróleo relativamente altos por um longo período. Cenários extremos e improváveis podem se tornar realidade à medida que o prazo da guerra se estende", avaliou o analista Samer Hash, da XS.com.

No Brasil, o mercado desta quinta-feira operava sem sobressalto: o dólar recuava 0,5%, a R$ 5,091 na venda, e o Ibovespa subia cerca de 0,6%, aos 174.900 pontos, com os investidores também digerindo a decisão do Federal Reserve, que manteve os juros dos Estados Unidos entre 3,5% e 3,75% pela quinta reunião seguida. O petróleo mais barato havia ajudado a conter a inflação em junho, movimento agora revertido pela guerra.