O governo russo prorrogou até 31 de janeiro de 2027 as restrições à exportação de gasolina, diesel, combustível marítimo e gasóleos. O veto ao diesel valia de 8 a 31 de julho de 2026 e venceria nesta sexta-feira (31). A decisão tem efeito direto sobre o Brasil, que até junho tinha a Rússia como principal fornecedora do combustível.
A prorrogação, porém, não é uniforme. A partir de 1º de setembro de 2026, as restrições deixam de valer para o diesel, o combustível marítimo e os gasóleos exportados diretamente pelos produtores russos. Os demais exportadores seguem proibidos de vender esses produtos ao exterior até o fim de janeiro de 2027. No caso da gasolina, a proibição continua valendo para todas as categorias. Ficam de fora das restrições as remessas amparadas por acordos intergovernamentais e os envios humanitários.
É justamente nessa distinção que está o problema para o comprador brasileiro: parte relevante das vendas de diesel russo ao Brasil é feita por intermediários, e não diretamente pelos produtores — um arranjo adotado para reduzir a exposição ao risco de sanções secundárias. Esses intermediários permanecem impedidos de negociar até 2027.
Brasil já havia trocado de fornecedor
Até junho, a Rússia respondia por 57% dos embarques de diesel destinados ao mercado brasileiro, que depende de importação para 30% de sua demanda. Segundo estimativa preliminar da Abicom, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, a participação russa deve cair para menos de 15% em julho. O espaço vem sendo ocupado pelos Estados Unidos, que, ainda segundo a Abicom, devem responder por mais de 80% do mercado de diesel importado.
A troca de origem tem custo. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que cada quilo de diesel russo importado no primeiro semestre saiu, em média, R$ 0,15 mais barato que o produto americano. Até maio, o Brasil havia se tornado o terceiro maior comprador global de diesel russo, com 11% das exportações do produto pelo país, de acordo com levantamento do Centro de Pesquisa em Energia Limpa, sediado na Noruega.
O combustível é peça central da logística brasileira: cerca de 65% do transporte de carga no país é feito por caminhões movidos a diesel. Desde maio, o governo federal mantém uma subvenção de R$ 1,12 por litro.
Drones ucranianos estão na origem da medida
As proibições russas foram adotadas depois que ataques de drones ucranianos atingiram refinarias do país, provocando desabastecimento interno e alta de preços. O veto temporário à exportação de diesel havia sido estabelecido pelo governo no fim de janeiro de 2026 e, em julho, foi ampliado para alcançar também os produtores de derivados de petróleo. O objetivo declarado pelo gabinete russo é "manter uma situação estável no mercado interno de combustíveis".
Os números mostram o tamanho do aperto. As exportações russas de diesel caíram para uma média de 234 mil barris por dia entre 1º e 10 de julho, ante 400 mil barris diários em junho e cerca de 817 mil em 2025. A Rússia costuma ser o segundo maior exportador mundial de diesel, atrás apenas dos Estados Unidos. O banco Goldman Sachs calcula que as exportações globais do combustível recuaram 35% em julho, o equivalente a cerca de 2,6 milhões de barris por dia.
Em 25 de julho, o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, afirmou que as restrições ao diesel seriam retiradas à medida que o mercado se recuperasse, sem apresentar data. O pacote russo prevê ainda protocolos adicionais, válidos até 1º de novembro, para garantir combustível à safra agrícola e às instituições estatais.














