O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), exonerou o secretário de Governo, Castellar Neto (PP), e mais 20 comissionados da pasta. As saídas passam a valer a partir desta sexta-feira (31) e vêm na esteira do rompimento entre o governador e o ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP).

Para o lugar de Castellar Neto assume Juliano Fisicaro Borges, até então secretário adjunto da pasta. Castellar Neto já havia se despedido dos colegas na quinta-feira (30). A exoneração seria publicada no Diário Oficial.

O rompimento

O estremecimento veio a público na quinta-feira, quando Simões confirmou a saída do grupo de Aro da administração estadual. Segundo o governador, o ex-secretário informou que vinha negociando havia semanas a própria candidatura ao governo do estado.

"O ex-secretário Marcelo Aro me comunicou hoje que está há algumas semanas negociando a candidatura dele ao governo do estado", disse Simões, acrescentando que "a decepção é um pouco maior, porque foi abrigado no governo durante quatro anos".

Em outra declaração sobre o episódio, o governador afirmou que Aro passou "4 anos parasitando" o Executivo mineiro: "depois de por 4 anos ter parasitado o Governo de Minas Gerais, aparentemente, para nutrir um projeto que é absolutamente pessoal". Simões classificou a articulação como uma traição ao povo mineiro e ao ex-governador Romeu Zema (Novo).

Do Senado à disputa pelo governo

Aro chefiou a Casa Civil na gestão Zema e depois comandou a Secretaria de Governo. Deixou a pasta para se dedicar à carreira eleitoral, e foi sucedido por Castellar Neto, empossado em 8 de abril, em Poços de Caldas, no Sul de Minas.

A rota inicial de Aro era o Senado — vaga que, segundo as reportagens sobre o rompimento, Simões havia prometido a ele. Nas últimas semanas, porém, o ex-secretário mudou de estratégia e passou a se posicionar como candidato ao governo do estado pela federação União-PP, ao lado de PL e Republicanos, em rota de colisão com o próprio governador.

Mateus Simões foi empossado governador de Minas Gerais em 22 de março de 2026, em reunião solene do plenário da Assembleia Legislativa (ALMG), após a saída de Romeu Zema.