92% dos brasileiros concordam que as mulheres enfrentam riscos que os homens não correm, segundo a pesquisa "Mulheres, polícia e facções – O que está no centro do debate sobre segurança pública?", divulgada nesta sexta-feira (31). O levantamento foi encomendado pelos institutos Update e Fogo Cruzado, e a etapa quantitativa foi executada pelo Ideia Instituto de Pesquisa.
Foram 2.000 entrevistas por telefone, em todas as regiões do país, realizadas entre 24 e 31 de março, com margem de erro geral de 2,2 pontos percentuais. O estudo foi complementado por duas análises qualitativas elaboradas pela Estratégia Latina, com relatos de mulheres.
Além da percepção de risco desigual, 83% consideram alta ou muito alta a gravidade da violência contra a mulher em suas cidades. No transporte público, a diferença entre os sexos aparece de forma direta: 39% das mulheres se sentem inseguras, contra 26% dos homens.
"A sociedade reconhece esse risco, mas ele ainda ocupa pouco espaço nas estatísticas tradicionais", afirmou Carol Althaller, diretora executiva do Instituto Update.
Oito em cada dez têm medo de sair à noite
O receio não se limita às mulheres. 80% dos entrevistados dizem ter medo de sair à noite, e o medo já mudou hábitos: 60% deixaram de frequentar lugares que gostariam, 30% abandonaram o uso do transporte público e 68% pararam de usar o celular em público por causa da insegurança.
O que o público acha que funciona
Questionados sobre caminhos para reduzir a violência, 45% apontaram educação e políticas sociais, enquanto 42% defenderam penas mais duras como prioridade. A confiança na polícia aparece dividida: 41% acreditam que a corporação efetivamente protege a população, e apenas 22% percebem melhora depois de operações policiais.
O tema deve pesar nas urnas. Segundo a pesquisa, 93% dos entrevistados consideram a segurança pública importante nas eleições de 2026.
O levantamento chega num ano em que o tema mobilizou as ruas. Em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, houve manifestações nas cinco regiões do país com a denúncia da violência contra a mulher no centro dos atos. Em Belo Horizonte, 160 cruzes foram colocadas na Praça da Liberdade, representando mulheres vítimas de feminicídio em Minas Gerais em 2025 e 2026. Em Porto Alegre, uma performance levou às ruas sapatos femininos manchados de líquido simulando sangue.














