A gasolina vendida nos postos de todo o país passa a ter 32% de etanol anidro na composição a partir deste sábado (1º de agosto). O percentual obrigatório era de 30%. A nova mistura, apelidada de E32, foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e tem validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período.

A alteração é no percentual obrigatório de etanol anidro da gasolina comum vendida nos postos. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a medida "barateia em R$ 0,03 [o litro], mas, principalmente, diminui a nossa dependência da importação de gasolina". Segundo ele, o caráter temporário da regra foi "um excesso de cautela", e o E32 pode se tornar permanente em breve.

Menos importação

Com o teor maior de biocombustível, o Brasil deixa de importar cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano, segundo o CNPE — é a redução de dependência da gasolina importada citada pelo ministro.

A decisão foi tomada depois de testes conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, que avaliou veículos leves, motocicletas e motores que não têm tecnologia flex. Segundo o instituto, a nova mistura não compromete o desempenho desses veículos, inclusive os modelos sem motor flex. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) segue testando concentrações mais altas, de olho em uma futura mistura com 35% de etanol, o E35.

O que olhar na bomba

Especialistas ponderam que mais etanol na gasolina significa menor poder energético por litro. A preocupação é maior em motos, carros antigos, importados e veículos que não foram projetados para uma mistura tão alta. Modelos movidos apenas a gasolina também podem sentir mais dificuldade nas partidas a frio, porque o álcool demora mais para levar o motor à temperatura ideal. Já os carros flex tendem a sofrer menos, por terem sido desenvolvidos para operar com proporções diferentes de etanol e gasolina.

O diretor executivo da Mix Fiscal e especialista em direito tributário pela FGV, Fabrício Tonegutti, questiona qual será a economia real para o consumidor e aponta o setor sucroenergético como principal beneficiado pela mudança. Ele recomenda que o motorista pare de comparar apenas o preço por litro e passe a calcular o custo por quilômetro rodado. A regra clássica de escolha na bomba — enquanto a gasolina custar até 70% do preço do etanol, ela é mais vantajosa — segue como referência, embora especialistas ponderem que ela tende a perder força à medida que a mistura aumenta.