O governo do Paraguai entregou nesta sexta-feira (31) uma nota de repúdio ao embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, em protesto contra declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai. A reunião foi marcada para o meio-dia e contou com a presença do vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, do chanceler Rubén Ramírez Lezcano, do vice-chanceler Víctor Verdún e de representante da embaixada brasileira.
Ao comentar a entrega do documento, Alliana afirmou que "a distorção dos fatos históricos não contribui para consolidar o futuro comum de nossos povos". Segundo o vice-presidente, o embaixador brasileiro esclareceu durante o encontro que a declaração foi tirada de contexto e que não houve intenção do presidente brasileiro de desrespeitar, insultar ou ofender o Paraguai.
O que Lula disse
A fala que motivou o protesto foi feita na sexta-feira anterior, dia 24 de julho, durante evento na empresa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), que produz sistemas de defesa e espaciais. Na ocasião, Lula defendeu o investimento nas Forças Armadas e no fortalecimento da defesa nacional, e disse querer as Forças Armadas preparadas "para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país".
No mesmo discurso, o presidente afirmou: "A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos". No Paraguai, o conflito é chamado de Guerra da Tríplice Aliança, que opôs Brasil, Argentina e Uruguai ao país vizinho.
Congresso paraguaio também reagiu
O Congresso do Paraguai aprovou por unanimidade uma declaração de repúdio às falas, sob o argumento de que elas distorcem e minimizam a dimensão histórica do conflito. O texto aprovado pelos parlamentares também cobra a devolução do canhão El Cristiano.
O chanceler Rubén Ramírez Lezcano declarou que o governo paraguaio "sempre defenderá os mais altos interesses do Paraguai" e confirmou que os presidentes Lula e Santiago Peña conversaram por telefone sobre o assunto, tratado pelo governo de Assunção como "delicado". O Paraguai informou ainda que os ministros das Relações Exteriores dos dois países já haviam discutido o tema em Lima.
Na prática diplomática, a convocação do embaixador de outro país é uma das demonstrações mais enfáticas de descontentamento de um governo antes de uma eventual escalada nas relações bilaterais.














