O governo da Rússia anunciou nesta quinta-feira (30) a prorrogação do veto à exportação de diesel e gasolina até 31 de janeiro de 2027. A restrição passa a valer a partir de 1º de agosto e substitui o embargo total que começou em 8 de julho e expiraria em 31 de julho. A medida respinga diretamente no Brasil, que se tornou um dos principais compradores do combustível russo.

A participação da Rússia nos embarques de diesel importado pelo Brasil vinha em queda acelerada mesmo antes do anúncio: foi de 57% em junho para uma estimativa abaixo de 15% em julho, com expectativa de que agosto fique no mesmo patamar, segundo a Abicom, associação que reúne os importadores de combustíveis. A previsão é que os Estados Unidos passem a responder por 80% do mercado brasileiro de diesel importado.

Por que o Brasil perde com a troca

A substituição tem custo. No primeiro semestre, o diesel russo saiu em média R$ 0,15 por quilo mais barato que o produto americano. O combustível é peça central da logística nacional: 65% do transporte de cargas no país é feito por caminhões movidos a diesel. O governo mantém em vigor o subsídio de R$ 1,12 por litro, implementado em maio.

Um agravante para os compradores brasileiros está no desenho da nova regra russa. A partir de 1º de setembro, as refinarias russas poderão voltar a exportar diesel, combustível para navios e gasoil — mas os demais exportadores continuam bloqueados. Como boa parte das vendas para o Brasil é feita por intermediários, justamente para escapar do risco de sanções secundárias, esses negociantes seguem impedidos de operar até 2027. Acordos intergovernamentais e envios humanitários estão isentos.

Ataques a refinarias explicam o embargo

O bloqueio nasceu de um problema doméstico russo. A suspensão original foi anunciada em 8 de julho, em reunião do governo com o presidente Vladimir Putin, e comunicada pelo vice-primeiro-ministro Alexander Novak. O motivo são os ataques ucranianos a refinarias: três unidades foram atingidas apenas no dia do anúncio e a refinaria de Omsk havia interrompido as operações na véspera. A produção russa de derivados caiu 25% em junho.

Segundo o comunicado oficial de agora, as autoridades russas seguem tentando estabilizar o mercado interno de combustíveis depois de uma ampla campanha de ataques de drones ucranianos a refinarias e centros de armazenamento. Um decreto separado trata do combustível de aviação, com prazo até novembro.

Na véspera do anúncio, em 29 de julho, a agência Reuters havia informado, com base em duas fontes a par das discussões, que a prorrogação seria de apenas mais um mês, com possibilidade de suspensão em meados de agosto — prazo superado pelo anúncio oficial desta quinta-feira. Quando o embargo foi criado, em julho, a avaliação era de que o impacto de curto prazo no Brasil seria limitado por causa dos contratos de longo prazo, mas que uma prorrogação poderia elevar os preços internacionais do diesel e forçar o país a buscar fornecedores alternativos mais caros.