O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o projeto de lei que transformaria o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) e o do Rio de Janeiro (Cefet-RJ) em universidades tecnológicas federais. O veto ao PL 5.102/2023 foi publicado nesta sexta-feira (31) no Diário Oficial da União.

Pelo texto barrado, o Cefet-MG se tornaria a Universidade Tecnológica Federal de Minas Gerais (UTFMG), com sede em Belo Horizonte, e o Cefet-RJ passaria a ser a Universidade Tecnológica Federal do Rio de Janeiro (UTFRJ). A proposta é de autoria do deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) e foi aprovada pelo Senado em 8 de julho, depois de passar pela Câmara dos Deputados. O relator no Senado foi o senador Camilo Santana (PT-CE), que ocupou o Ministério da Educação até abril deste ano.

O argumento do governo

A razão central do veto é constitucional. Segundo o Ministério da Educação, a transformação de autarquias e a criação de novos cargos são iniciativa privativa do presidente da República — e não do Congresso Nacional. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, alertou que sancionar o texto abriria risco de "insegurança jurídica" para as futuras universidades.

A pasta apontou ainda três riscos: abrir precedente para a criação de universidades por iniciativa parlamentar, enfraquecer a rede de institutos federais e reduzir a oferta de ensino médio técnico. Como referência interna, o governo usou o caso da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), transformada em 2005 — a instituição praticamente não mantém mais ensino médio técnico integrado, o que reforçou a preocupação do MEC com os Cefets mineiro e fluminense.

O Planalto já prepara um novo projeto sobre o tema, agora de iniciativa presidencial, mas a expectativa é que a proposta leve ao menos seis meses para ficar pronta. A decisão de vetar teria sido negociada e acertada previamente entre o governo e Camilo Santana.

Uma reivindicação de duas décadas

Para a comunidade do Cefet-MG, o veto interrompe uma reivindicação antiga: a primeira proposta formal de transformar a instituição em universidade foi enviada ao MEC em 2005. Antes de o texto ser barrado, a diretora-geral do Cefet-MG, Carla Chamon, havia comentado publicamente que a aprovação no Congresso coroava um movimento de resistência e planejamento estratégico de mais de duas décadas.

O Cefet-MG mantém unidades em nove cidades mineiras — Leopoldina, Araxá, Divinópolis, Varginha, Nepomuceno, Timóteo, Curvelo, Contagem e Belo Horizonte — e reúne mais de 16,6 mil estudantes matriculados, segundo o Estado de Minas. Conforme a diretora-geral, a instituição já tem há algum tempo mais alunos matriculados na graduação e na pós-graduação do que nos cursos técnicos.

Com a mudança, a instituição esperava acesso a novos editais de pesquisa e extensão, a outras fontes de financiamento e a novas vagas para docentes e técnicos administrativos — algo que aguarda há 14 anos. Os cursos técnicos seriam mantidos e a seleção continuaria pelo Sisu.