O vendaval que atingiu o Rio de Janeiro a partir das 16h de quarta-feira (29) derrubou 220 árvores só no município. No pico da ocorrência, 1,1 milhão de clientes da Light ficaram sem energia elétrica.
Até a tarde de quinta-feira (30), a distribuidora informava ter reduzido em cerca de 70% o número de afetados, mas aproximadamente 320 mil clientes ainda seguiam sem serviço, com mais de 2 mil funcionários mobilizados no reparo. Entre os bairros atingidos estavam Campo Grande, Bangu, Anchieta, Tijuca, Catumbi, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio.
Na área da Enel — que cobre a região metropolitana, a serrana, a dos lagos, o norte e o noroeste fluminense, o sul fluminense e a Costa Verde —, a empresa afirmou ter normalizado 83% dos atingidos até a manhã de quinta. Ainda assim, mais de 100 mil clientes permaneciam sem luz, o equivalente a 4,2% do total atendido. Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba estavam entre as cidades afetadas. A Aneel se reuniu com a Light na quinta-feira, na sede da empresa no Rio, para verificar as ações de restabelecimento do serviço.
"Ou enterra ou faz manutenção"
Para especialistas em engenharia elétrica e desastres, o tamanho do estrago tem menos a ver com a força do vento do que com o estado da rede. Edson Watanabe, professor do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ, resume o dilema: "Tem que ter manutenção. Ou enterra ou faz manutenção. No geral, não se faz nem um, nem outro. Ou se faz pouco". Ele avalia que a rede aérea é mais vulnerável e que a subterrânea entrega qualidade superior, mas a um custo de 7 a 10 vezes maior. "Seria bom se houvesse um pouco mais de atividade do lado das concessionárias", afirma.
Leandro Torres, especialista em desastres e professor da Escola Politécnica da UFRJ, pondera que enterrar toda a fiação não resolveria sozinho. "É uma decisão estética, urbanística. Mas não pesa muito no caso de falta de luz", diz. Para ele, trocar toda a rede por causa do vento pode ser economicamente inviável, e os cabos subterrâneos têm problemas próprios — inundações e furtos. Torres defende que as concessionárias mantenham planos de contingência para diferentes cenários climáticos. A poda de árvores aparece nas duas avaliações como medida necessária.
Alerta segue de pé nesta sexta
O episódio do Rio não foi isolado. Depois das ventanias que assustaram moradores de São Paulo e do Rio nesta semana, o Inmet passou a indicar perigo potencial de ventos costeiros no litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. No Sul, a Defesa Civil reconheceu situação de emergência em 17 municípios do Rio Grande do Sul — com o reconhecimento federal, as prefeituras podem pedir recursos da União para assistência à população, como cestas básicas, água mineral, refeições e kits de higiene, e para o restabelecimento de serviços essenciais.
Nesta sexta-feira (31), o Inmet mantém alerta amarelo de vendaval, o nível de perigo potencial, para áreas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. As recomendações do instituto são não se abrigar sob árvores durante as rajadas, não estacionar veículos perto de torres de transmissão e placas de propaganda e, havendo risco, desligar aparelhos elétricos e o quadro geral de energia.














