Um estudo do BNDES em parceria com o Ministério das Cidades aponta que a implementação de 14 projetos de mobilidade na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) — entre linhas de metrô, corredores de BRT e VLT — pode reduzir em até 70% as mortes no trânsito da região até 2054. O levantamento integra o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), divulgado em 15 de julho.
Segundo o estudo, a rede de transporte de média e alta capacidade da RMBH passaria dos atuais 84 km para 314 km, com investimento estimado em cerca de R$ 35,5 bilhões. Os projetos incluem o BRT Amazonas, obras no Anel Rodoviário e na BR-040 (trechos Norte e Sul), acesso a Confins, expansões das linhas 1, 2 e 3 do metrô e VLT em diversos corredores — ao todo, 4 projetos de metrô (32 km), 3 de VLT (92 km) e 7 de BRT (107 km).
Menos tempo no trânsito, mais gente no coletivo
O estudo estima ainda uma redução de 21% no tempo médio de deslocamento na região metropolitana, capacidade para transportar 1,4 milhão de passageiros por dia e cerca de 2.487 vítimas de acidentes de trânsito evitadas por ano na RMBH. Atualmente, a região tem um déficit de 73% na infraestrutura de transporte coletivo em relação ao considerado ideal pelo levantamento. Parte dos projetos já está em andamento: 31 km de corredores — BRT Amazonas, Anel Rodoviário e BRS Pedro II — já foram contratados, somando R$ 2 bilhões em investimentos.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que "o ENMU reúne diagnósticos, propostas e uma carteira de projetos" para orientar a expansão da mobilidade urbana no país — o estudo nacional mapeou 187 projetos de transporte em todo o Brasil, além dos 14 da RMBH.
Especialistas ouvidos sobre o estudo
Foram consultados sobre o levantamento Airan Bechara Ferreira, chefe do Departamento de Estruturação de Soluções de Mobilidade Urbana do BNDES, e Alysson Coimbra Carvalho, diretor da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet). O estudo tomou como base o PlanMob-BH (2017), o PlanMob-RMBH (2023), o PDUI-RMBH (2024) e a carteira de projetos da Secretaria de Estado de Infraestrutura de Minas Gerais (Seinfra-MG).















