Os brasileiros retiraram R$ 7,15 bilhões a mais do que depositaram na poupança em julho, segundo balanço do Banco Central. Foram R$ 370,76 bilhões em depósitos contra R$ 377,92 bilhões em saques — o pior resultado mensal do ano, bem acima dos R$ 237,5 milhões negativos registrados em junho.
Na comparação com julho de 2025, tanto depósitos quanto saques cresceram: os depósitos subiram 2%, para os R$ 370,76 bilhões deste ano, e os saques subiram 2,2%. Mas o saldo negativo também aumentou — em julho do ano passado, a diferença entre saques e depósitos tinha sido de R$ 6,25 bilhões, menor que a deste ano.
Mesmo com a fuga de recursos, o saldo total guardado na poupança continua maior que há um ano: R$ 1,02 trilhão em julho de 2026, ante R$ 1,01 trilhão em julho de 2025.
Por que o dinheiro está saindo da poupança?
A poupança rende a taxa referencial (TR) mais 0,5% ao mês — fórmula que vale enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano. Com a Selic em 14% ao ano, esse teto de rendimento fixo deixa a caderneta atrás de opções como CDBs de liquidez diária e Tesouro Selic, que acompanham a taxa básica de juros e têm rendido mais no período.
No acumulado de 2026, os saques líquidos da poupança já somam R$ 46,5 bilhões — mais de seis vezes o resultado negativo registrado em todo o mês de julho.
O ponto em aberto
O Banco Central não indicou se espera que a saída de recursos da poupança continue nos próximos meses. Enquanto a Selic seguir em 14% ao ano, alternativas como CDB e Tesouro Selic mantêm a vantagem sobre o rendimento fixo da caderneta — o fator que, segundo o Banco Central, já deixou a poupança com R$ 46,5 bilhões a mais em saques do que em depósitos nos sete primeiros meses de 2026.














