O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), encontrou-se com o ministro José Guimarães, responsável pela articulação política do governo Lula (PT), mas não se comprometeu com um cronograma para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e acabar com a escala 6x1.
Andamento da PEC
A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio e agora aguarda Alcolumbre para ser encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na última semana, o presidente do Senado expressou a aliados sua insatisfação com as cobranças nas redes sociais para que a votação da proposta ocorra rapidamente, atribuindo os ataques a uma manobra do governo e partidos de esquerda.
Embora tenha mencionado a intenção de se reunir com líderes partidários esta semana para discutir a PEC, Alcolumbre parece ter recuado, desmarcando também uma audiência com o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), onde deveria ser definido quem será o relator da proposta.
Expectativas e Pressões
Apesar da indefinição, Alcolumbre assegurou a senadores que resolverá as pendências na quarta-feira (10). Aliados destacam que o progresso da PEC dependerá da CCJ, que pode acelerar as discussões para que a votação ocorra em julho, antes das eleições.
A intenção do governo é que as novas regras, que incluem dois dias de folga remunerada e a redução da jornada de trabalho, entrem em vigor antes do pleito eleitoral, uma vez que as mudanças se aplicariam 60 dias após a promulgação da PEC. Essa estratégia é vista como uma forma de impulsionar a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Reclamações e Desafios
Em seu discurso na tribuna, Alcolumbre reclamou da pressão para aprovar medidas com grande repercussão social às vésperas da eleição. Ele citou a dificuldade de votar projetos que estabelecem pisos salariais em diversas profissões, ressaltando que a responsabilidade por possíveis consequências financeiras recai sobre ele.
A reunião entre Alcolumbre e Guimarães, que também contou com os ministros da Fazenda e do Planejamento, abordou não apenas a PEC 6x1, mas também os impactos de outras propostas que afetam a economia. O governo também pediu ao presidente do Senado que avance com a PEC da Segurança Pública, aprovada na Câmara em março, e que coloque em votação o marco legal para a exploração de minerais críticos.
Relação com o Governo
Guimarães comentou que a reunião foi positiva, mas não trouxe novidades quanto ao cronograma da PEC ou ao relator. A relação entre Alcolumbre e o governo ficou tensa após a indicação do advogado-geral da União para o STF, que não seguiu a preferência do senador.
Lula conta com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para pressionar Alcolumbre a acelerar a tramitação da PEC 6x1, um tema que Motta adotou como bandeira. Entretanto, a oposição está buscando impedir a votação da PEC em favor de uma proposta alternativa que autoriza o pagamento por hora trabalhada, que possui apoio de entidades empresariais e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Otto Alencar, presidente da CCJ, declarou que não vai tratar da PEC 6x1 enquanto não houver avanço claro na comissão.














