Warren Buffett deixará o cargo de presidente do conselho de administração da Berkshire Hathaway, com efeito imediato, segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira (18). Ele será substituído pelo filho, Howard Buffett, conselheiro da empresa desde 1993, e passa a ocupar o posto de presidente emérito.

O tempo sempre vence. No entanto, ele tem sido generoso comigo. Ele me deu a oportunidade de ver a Berkshire chegar a um ponto em que estou mais confiante do que nunca sobre o que está por vir.

Escreveu Buffett, de 96 anos, em carta aos acionistas. Sobre a divisão de papéis com Howard, ele foi direto: "Greg administra a empresa; Howard zelará por sua cultura e valores, ambos valem mais do que qualquer coisa em nosso balanço patrimonial."

Greg Abel, CEO da Berkshire desde o início de 2026, também comentou a mudança: "O impacto de Warren na Berkshire e em seus acionistas não tem paralelo na história do mundo empresarial americano."

O que muda com Howard no comando

Howard assume a presidência do conselho, mas quem administra a Berkshire no dia a dia continua sendo Greg Abel, que sucedeu Buffett como CEO. A divisão separa gestão do negócio, com Abel, da guarda da cultura e dos valores da empresa, com Howard.

Buffett havia anunciado a saída da CEO na assembleia anual de maio de 2025, decisão que chocou milhares de acionistas presentes apesar de sua idade avançada. Ele segue como membro do conselho.

O legado que Howard herda

Buffett assumiu o controle de uma fábrica têxtil falida na Nova Inglaterra aos 34 anos e a transformou, em seis décadas, em uma potência com lucro operacional de US$ 44,5 bilhões. O retorno anual composto foi de 19,7%, quase o dobro do S&P 500.

A holding, avaliada em cerca de US$ 1,03 trilhão, reúne negócios como a seguradora Geico, a ferrovia BNSF, a Berkshire Hathaway Energy e marcas como Dairy Queen e Fruit of the Loom.

Em agosto, a empresa informou que começou a usar parte de sua enorme reserva de caixa, investindo bilhões de dólares em ações de empresas como a Alphabet, controladora do Google, que hoje capta bilhões para expandir sua infraestrutura de inteligência artificial.

O plano da Alphabet prevê captar US$ 80 bilhões para essa expansão. O lucro operacional trimestral da Berkshire subiu 16% no período, para US$ 12,98 bilhões, superando as projeções do mercado.

Segundo projeções do setor, essa captação da Alphabet deve superar o recorde brasileiro do gênero, hoje da Petrobras.