Aécio Neves (PSDB) disse, em sabatina da TV Sim Brasil e da TMC, que não é candidato de Jair Bolsonaro nem de Lula e do PT na disputa pelo Senado por Minas Gerais. Questionado sobre eleitores dispostos a votar nele e na candidata petista Marília Campos, disse que "o mundo mudou".

Ele disse que a política perdeu espaço para o diálogo e que, depois das eleições de 2026, deve se reabrir um espaço ao centro no Congresso, construído com diálogo e parcerias entre forças políticas.

"Eu não sou candidato do Bolsonaro, não sou candidato do Lula e do petismo. Eu voltei para o jogo para ser o candidato de Minas Gerais", disse Aécio Neves.

Ele disse não precisar de mais cargos (já foi senador, presidente da Câmara e governador) e que o que o move agora é "fazer Minas voltar a falar grosso" no Congresso Nacional.

"As pessoas se digladiam"

O candidato citou a chamada escola tancrediana, herdada do avô, o ex-presidente eleito Tancredo Neves, para quem, segundo ele, "na política quem deve brigar são as ideias, não as pessoas".

"Hoje inverteu-se a coisa, hoje as pessoas se digladiam, o adversário político vira um inimigo a ser dizimado", afirmou, ao criticar o confronto entre extremos em busca de engajamento nas redes sociais.

Segundo ele, essa disputa esvaziou as comissões do Congresso e reduziu o espaço para discutir projetos.

"Eu tenho uma discordância profunda sobre o modus operandi da gestão do PT, mas eu respeito o PT sobre determinados aspectos, sobretudo da defesa da democracia", disse.

A aliança com o ex-rival Calil

Aécio Neves e Alexandre Calil, hoje candidato ao governo de Minas Gerais, já foram adversários políticos.

"Eu não faço política olhando no retrovisor, eu faço política olhando para frente", disse Aécio Neves sobre a aliança com Calil. "É o meu aliado hoje."

Ele também citou a aproximação com o PDT, partido que, segundo ele, "sempre esteve comigo em todas as minhas eleições majoritárias".

Questionado sobre a fala do presidente Lula, que disse sentir saudade da época em que o adversário político era o PSDB, Aécio Neves respondeu que o embate era mais programático que o atual.

Segundo ele, o PSDB nasceu como partido liberal na economia, mas inclusivo no campo social, e criou os programas Bolsa Escola e Bolsa Alimentação, que depois deram origem ao Bolsa Família, ampliado no governo Lula.

Ele disse defender uma política externa "pragmática", sem alinhamento ideológico fixo, citando os Estados Unidos como exemplo de país que negocia sempre em favor dos próprios interesses.

"A nossa briga ficava aí, mas sempre respeitando as instituições e os limites da democracia", concluiu.