O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,32% em agosto, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (11). O resultado veio acima da queda de 0,29% esperada pelo mercado e é a maior deflação em quatro anos. A retração foi puxada pela conta de luz e por alimentos como cebola e batata.

Em 12 meses, a alta acumulada do IPCA é de 4,22%, ante 4,44% no mês anterior.

O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,34% em agosto. A batata ficou 19,89% mais barata, a cenoura recuou 11,22% e a cebola, 11,07%. Os ovos também custaram menos, com queda de 4,15%.

Por que a conta de luz caiu tanto

A conta de luz caiu porque o Bônus de Itaipu entrou nas faturas de agosto, com abatimento de R$ 872,1 milhões para 83,8 milhões de consumidores. A energia elétrica residencial recuou 7,63% no país, a maior contribuição individual para a deflação do mês.

A bandeira tarifária seguiu amarela no período, acrescentando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Mesmo assim, o grupo Habitação teve o menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real.

Os efeitos variaram por região. Em São Paulo, a energia recuou 7,42%, mesmo com reajuste de 8,85% aplicado por uma concessionária desde julho; em São Luís, a queda chegou a 8,51%.

Nem tudo caiu. As despesas pessoais subiram 1,30% no mês, com destaque para o cigarro, 19,59% mais caro, o principal item de alta do IPCA em agosto.

Já o grupo Transportes recuou 0,86%, puxado pela passagem aérea (-13,17%). Entre os combustíveis, o etanol caiu 3,95%, o diesel 0,80% e a gasolina 0,59%, no mesmo mês em que o governo liberou R$ 6,6 bi ao diesel e reduziu o imposto da gasolina.

A deflação reforça a aposta em mais um corte de juros. Segundo o economista Alexandre Bassani, o resultado abre espaço para o Banco Central reduzir a Selic ainda em setembro.

O Bank of America (BofA) vê espaço para mais dois cortes de 0,25 ponto percentual no Copom depois da decisão de setembro, e revisou a previsão do IPCA para 2026 de 5,5% para 5%.

O que acontece agora

O Copom se reúne nos dias 15 e 16 de setembro para decidir os próximos passos da Selic, hoje em 14% ao ano. O mercado já precifica um corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75%.

O resultado confirma o sinal dado pela prévia da inflação, que já havia recuado 0,40% no mesmo mês, a maior queda desde 2022, mas o Banco Central diz que só estende os cortes com inflação estruturalmente mais baixa, não com um mês isolado de deflação.

Mesmo com a Selic em trajetória de queda desde março, boa parte das famílias ainda sente o juro subir no crédito ao consumidor, efeito que só deve mudar quando o corte chegar à ponta.