Aécio Neves (PSDB) disse, em sabatina da TV Sim Brasil e da TMC, que decidiu concorrer ao Senado por Minas Gerais para negociar em Brasília o alongamento da dívida do estado. Ele prometeu ampliar de 30 para 50 anos o prazo do Propag e reduzir o comprometimento da receita com a dívida de 13% para 8%.

O tucano havia decidido, segundo contou, organizar apenas o partido rumo a um projeto de centro para 2030.

"Foi muito, Mariana, um gesto de responsabilidade com Minas, que me fez voltar para o jogo, me colocar novamente à disposição de Minas Gerais", disse Aécio Neves, ao citar apelos de lideranças políticas, de segurança pública e da sociedade civil.

PSDB, Cidadania e PDT chegaram a pedir publicamente que ele entrasse na disputa, como mostrou a TV Sim Brasil. Ele já havia formalizado a candidatura ao Senado, como também noticiou o portal.

O histórico como governador

Aécio governou Minas Gerais entre 2003 e 2010. Segundo ele, herdou uma dívida de curto prazo com fornecedores que chegava a R$ 6 bilhões e mesmo assim manteve o pagamento integral do serviço da dívida do estado.

"Eu passei, eu herdei o governo de Minas com uma dívida estrondosa. Eram 6 bilhões de reais de dívidas de curto prazo com fornecedores do governo que não entregavam mais o papel para a repartição pública, a seringa para o posto de saúde", afirmou.

Ele chamou o ajuste fiscal do período de "choque de gestão" e disse ter ligado por asfalto 219 municípios que não tinham ligação asfáltica, além de obras como a Linha Verde e a Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.

Segundo o candidato, o estado teve, na época, a melhor educação fundamental do país e a melhor saúde da região Sudeste, com base em índices do próprio governo federal.

O plano de renegociação no Senado

Aécio disse já conversar com senadores de outros estados endividados, como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Goiás e Bahia, para formar uma bancada dos estados devedores. Ele calcula reunir entre 20 e 22 senadores dispostos a pressionar por uma nova rodada de negociação.

"Eu quero fazer, por exemplo, com que o prazo de 30 anos estabelecido no Propag vá para 50", disse o candidato.

Segundo ele, o objetivo é reduzir o impacto da dívida na receita corrente líquida do estado, hoje em 13%, "para 8%, mais espaço para investir na vida das pessoas".

Ele defende ainda que parte dos recursos hoje usados no pagamento da dívida volte ao estado para investimento em rodovias e em segurança pública.

Ele também apresenta uma PEC da Saúde, que eleva em meio ponto percentual por ano a participação da União no financiamento do SUS, hoje em 40% ante os 46% de 1990.

Defende ainda novo aumento da CFEM, compensação paga por mineradoras aos municípios, hoje em 3,5% do faturamento bruto das empresas.

Aécio Neves concorre ao Senado por Minas Gerais com o número 456.