Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, encolheu até 23 km de raio ao longo de 4,5 bilhões de anos, segundo estudo publicado em 10 de setembro na revista Geophysical Research Letters. O número é maior do que as estimativas anteriores, que iam de 4 a 16 km.
A equipe, liderada pelo cientista planetário Gaku Nishiyama, do Instituto de Pesquisa Espacial do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), usou dados da sonda MESSENGER, da Nasa, que orbitou Mercúrio entre 2011 e 2015.
Os pesquisadores aplicaram a técnica de estereofotogrametria para criar mapas tridimensionais da superfície do planeta e identificar rugas e escarpas. Essas formações aparecem quando a crosta é empurrada para cima durante a contração.
O encolhimento acontece porque Mercúrio vem perdendo calor gradualmente desde sua formação. A perda de calor faz o interior do planeta se contrair, e a crosta rígida se ajusta a esse encolhimento formando as rugas e escarpas que os cientistas usam para medir o fenômeno.
Por que a estimativa antiga era mais baixa?
Porque crateras de impactos mais recentes escondem parte das rugas e escarpas formadas pelo encolhimento. Regiões mais irregulares da superfície mostravam menos sinais de deformação, o que levava os cálculos antigos a subestimar a contração real.
O caso se soma a outras descobertas recentes sobre o Sistema Solar. Uma cratera de impacto de asteroide em São Paulo e um sinal que pode ser a primeira pista real de matéria escura também mudaram estimativas científicas neste ano.
A descoberta importa além de Mercúrio: entender como ele esfriou e encolheu ajuda cientistas a calibrar modelos de formação e evolução térmica de outros planetas rochosos, como Vênus, a Terra e Marte.
O que vem a seguir?
A sonda europeia-japonesa BepiColombo, lançada em 2018, deve chegar à órbita de Mercúrio em dezembro. Seu altímetro detecta mudanças de superfície de até 20 centímetros e deve confirmar os novos números com mais precisão.
A missão se soma a uma onda recente de investimento em observação espacial, que inclui o novo telescópio da Nasa com campo de visão 100 vezes maior, lançado neste ano.


























