A Petrobras anunciou na noite de 9 de setembro um reajuste de R$ 0,63 por litro na gasolina vendida às distribuidoras, elevando o preço a R$ 3,24. Menos de quatro horas depois, recuou parte do aumento e fixou o novo valor em R$ 3,05, alegando erro no comunicado anterior.
O reajuste original decorria do fim do desconto de R$ 0,44 por litro na Medida Provisória 1.358/2026, que perdeu validade em 9 de setembro. A Petrobras também havia anunciado, e depois retirou, um acréscimo adicional de R$ 0,19 por litro.
Em nova nota, a estatal disse que a informação anterior estava errada: "a alteração no preço da gasolina da Petrobras nos pontos de venda corresponderá apenas à suspensão do desconto". A empresa não detalhou a causa do erro.
No mesmo dia, o governo publicou um decreto que reduz o PIS/Cofins da gasolina em R$ 0,16 por litro até 9 de outubro, parte da Lei Complementar 235/2026, sancionada por Lula em 27 de agosto.
O que muda no preço da gasolina
O preço final ficou em R$ 3,05 por litro nas vendas da Petrobras às distribuidoras, ante R$ 2,61 com o desconto vigente. É alta de 16,9%, mas R$ 0,19 abaixo dos R$ 3,24 anunciados na véspera.
A diferença entre o valor mantido e o inicialmente anunciado equivale a R$ 7,60 num tanque de 40 litros. O preço às distribuidoras não é o valor final na bomba, que cada posto define com sua própria margem.
Analistas de mercado reagiram menos ao valor final e mais à forma como ele foi comunicado. Em relatório, o Itaú BBA classificou o episódio como negativo para a companhia, apontando risco à previsibilidade da governança da estatal.
O Bradesco BBI, pela equipe de óleo e gás, destacou que a mudança ocorreu de um dia para o outro e apontou a proximidade do fim do subsídio com o calendário eleitoral como ponto de atenção no episódio.
O que preocupa o mercado não é o tamanho do reajuste, e sim a Petrobras corrigir em público, em poucas horas, um número que ela mesma havia anunciado.
O caso expõe uma defasagem maior. Segundo os mesmos analistas, a gasolina da Petrobras está 26% abaixo da paridade de importação, e o diesel, 31%, com o petróleo acima de US$ 100 o barril.
Este não foi o primeiro ajuste na conta de combustíveis em setembro. Dias antes, o governo já havia cruzado corte de imposto com o fim do subsídio à gasolina para tentar segurar o preço ao consumidor.
O que acontece agora
O corte de PIS/Cofins de R$ 0,16 por litro vale até 9 de outubro, quando o governo precisa decidir se prorroga a desoneração ou deixa o preço subir de novo. A Petrobras não informou se pretende revisar o valor da gasolina antes desse prazo.


























