O agronegócio brasileiro exportou US$ 15,1 bilhões em agosto, alta de 6,7% sobre o mesmo mês de 2025. O valor correspondeu a 45,8% de tudo que o país vendeu ao exterior no período. Os dados são do MDIC e do Ministério da Agricultura (Mapa), com levantamento da Confederação Nacional de Municípios.

No acumulado de 2026, de janeiro a agosto, o crescimento das exportações do agronegócio chega a 6,1% frente ao mesmo período do ano passado, mantendo o ritmo do resultado mensal.

Soja liderou as vendas, com US$ 4,4 bilhões (alta de 14%) e quase 30% de todo o faturamento do agronegócio no mês.

Carne bovina in natura somou US$ 1,2 bilhão, e o café verde faturou US$ 1,1 bilhão, alta de 24,1% sobre agosto de 2025. O ritmo da soja já vinha aparecendo em setembro, quando o farelo do grão bateu recorde nas exportações.

Principais produtos exportados pelo agronegócio brasileiro em agosto de 2026, segundo o MDIC e o Mapa
ProdutoValorVariação sobre 2025
SojaUS$ 4,4 bilhões+14%
Carne bovina in naturaUS$ 1,2 bilhãonão informada
Café verdeUS$ 1,1 bilhão+24,1%

Quais estados exportaram mais?

Mato Grosso liderou com US$ 2,2 bilhões, 14,6% do total nacional, somando 78 municípios exportadores. São Paulo ficou logo atrás, com US$ 2,03 bilhões, mas distribuiu esse valor entre 334 municípios, mais de quatro vezes o número mato-grossense.

O contraste revela dois modelos diferentes de inserção no comércio exterior: concentração em poucos municípios no Centro-Oeste e produção pulverizada por um número bem maior de cidades em São Paulo.

Para onde vai a produção?

A China comprou US$ 4,2 bilhões do agronegócio brasileiro em agosto, concentrados em soja. A União Europeia elevou as compras em 31,5%, para US$ 2,4 bilhões. Os Estados Unidos ficaram bem atrás, com US$ 905,58 milhões.

O superávit da balança comercial brasileira total chegou a US$ 7,394 bilhões em agosto, alta de 23,8% sobre 2025, segundo o MDIC. As exportações totais do país somaram US$ 33,16 bilhões, e as importações, US$ 25,76 bilhões.

O agro também importou mais em agosto: US$ 1,6 bilhão em produtos agropecuários, alta de 5% sobre o mesmo mês de 2025. O trigo foi o principal item comprado de fora, somando US$ 126 milhões em compras do Brasil no período.

A queda nas vendas aos EUA soma-se ao tarifaço ainda não negociado entre os dois países. No primeiro semestre, as vendas ao mercado americano recuaram 25%, dentro de um faturamento total de US$ 87 bilhões no agronegócio.

O resultado positivo em agosto contrasta com outro dado recente. O Brasil perdeu o posto de 2º maior exportador de milho para a Argentina em setembro, lembrete de que a liderança em valor não se repete em todos os produtos.