O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse nesta segunda-feira (28) que as negociações entre Rússia e Estados Unidos sobre controle de armas nucleares já estão muito atrasadas. Segundo ele, deveriam ter sido retomadas "ontem", e quando forem, vão exigir bastante tempo.

Trata-se de uma questão tão complexa que exige negociações muito longas e meticulosas entre especialistas.

A frase é de Peskov, ao justificar a demora.

O pano de fundo é técnico e concreto: o tratado New START, que limitava os arsenais nucleares estratégicos dos dois países, expirou em fevereiro. A Rússia já havia suspendido notificações e inspeções previstas no acordo em 2023.

Quantas armas nucleares têm Rússia, EUA e China?

A Rússia tem cerca de 4.400 ogivas nucleares, segundo estimativa da FAS. Os Estados Unidos têm 5.042. A China, a quem Trump quer trazer para a mesa, tem pouco mais de 600, segundo o Departamento de Defesa dos EUA.

Juntas, Rússia e Estados Unidos concentram a quase totalidade do arsenal nuclear estratégico do planeta, o que torna a ausência de um tratado entre os dois um vazio raro desde a Guerra Fria.

Por que a China recusa entrar nas negociações?

A China diz que seu arsenal está longe do tamanho dos arsenais russo e americano, e que seu ambiente de segurança e sua política nuclear são diferentes dos dois países. Por isso, considera a proposta de Trump "não razoável e não realista".

A resistência chinesa não é nova. Peskov confirmou que, segundo o que Moscou sabe, a posição de Pequim sobre o tema não mudou.

O impasse ocorre em meio a outras frentes de tensão entre Rússia e Estados Unidos. Trump assinou em setembro um novo pacote de sanções que mira Putin e o setor de energia russo.

Nem toda negociação está travada: a Ucrânia disse estar pronta para uma trégua no Mar Negro, ainda que mais limitada que o acordo de grãos rompido pela Rússia em 2023.

Internamente, o Kremlin também colheu força política recente: a nova legislatura russa tem maioria constitucional e 86 veteranos de guerra, o que dá a Putin mais folga para as negociações que ainda estão por vir.

O vácuo que o fim do New START deixou

Enquanto EUA, Rússia e China não sentam à mesa, o mundo vive sem qualquer tratado que limite o maior arsenal nuclear do planeta.

Não há data marcada para a retomada das negociações bilaterais entre Moscou e Washington, e a adesão da China ao formato trilateral proposto por Trump segue sem sinal de avanço.