Os Estados Unidos retomaram o fornecimento de inteligência militar à Ucrânia após uma breve pausa, informou o presidente Volodymyr Zelensky neste domingo (18). As informações ajudam Kiev a detectar mísseis balísticos de alta velocidade que a Rússia dispara, em ondas, contra cidades ucranianas.

Zelensky agradeceu a retomada, mas afirmou que outras decisões dos Estados Unidos prejudicam a Ucrânia: um acordo para importar diesel russo e a suspensão de sanções contra Moscou, mesma tensão que levou Zelensky a retomar ataques a refinarias russas dias atrás.

Queremos confiar nele, e espero que ele mude suas decisões. Porque acredito que tudo isso são erros, e isso não nos ajudará. E também não ajudará os Estados Unidos.

Zelensky se referia a Trump, em entrevista à NBC. "Somos muito gratos por isso", disse sobre a retomada da inteligência. "Agora está funcionando", completou.

O que os EUA responderam?

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse à NBC que a Ucrânia recebe ajuda que a Rússia não recebe, citando inteligência e munições revendidas a Kiev. Questionado várias vezes se os EUA consideram a Ucrânia aliada, Bessent não respondeu diretamente.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou a decisão de outra forma: suspender as sanções sobre o diesel russo "proporciona a Moscou mais receitas para fazer a guerra" contra a Ucrânia. O Reino Unido já ofereceu mísseis a Zelensky.

O mesmo acordo que ajuda a financiar a guerra russa, segundo a UE, também já chegou ao bolso do motorista brasileiro.

Como o acordo com a Rússia chegou ao Brasil?

Trump negociou a liberação de diesel russo em ligação de 1h30 com Putin, abrindo caminho para o equivalente a 4,8 milhões de toneladas ao longo de alguns meses, com a suspensão das sanções americanas valendo até abril de 2027.

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O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, e a alta internacional do combustível já elevou o preço em 7% no país em um mês, chegando a R$ 7,35.

Desde março, o governo paga subsídio de R$ 1,00 por litro ao diesel A. Em setembro, o preço cobrado pela Petrobras já estava R$ 3,89 abaixo do valor internacional, defasagem recorde, segundo a Abicom.

O ponto em aberto

Zelensky diz esperar que Trump "mude suas decisões", mas a Casa Branca não sinalizou recuo no acordo com a Rússia. Fica em aberto se o preço do diesel no Brasil vai continuar subindo enquanto as remessas seguem programadas até o fim do semestre.