Um café geisha natural da Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas (MG), foi arrematado por US$ 200 por libra-peso em leilão da Alliance for Coffee Excellence (ACE), em Tóquio, sexta-feira (16). O valor equivale a R$ 134,6 mil pela saca de 60 kg.
É o maior preço já pago por um lote brasileiro nos leilões da entidade. O lote, de 10 quilos, foi comprado pela japonesa Snow Beans Coffee durante o SCAJ 2026, a Conferência Mundial do Café Especial do Japão.
O leilão aconteceu dentro do evento, com lances presenciais e online.
O produtor é Luiz Paulo Dias Pereira Filho. A venda confirma que o trabalho de valorização do café brasileiro é reconhecido no mercado internacional, segundo ele. Em nota, Pereira Filho descreveu o resultado:
Vender a US$ 200 por libra demonstra que todo o trabalho realizado pelo produtor recebe reconhecimento global e coloca o Brasil na prateleira alta da qualidade do café especial no mundo.
O preço supera em 40% o recorde brasileiro anterior, de US$ 143 por libra, pago em 2018 no Cup of Excellence. A renda do leilão foi revertida a projetos sociais e de educação no setor cafeeiro.
Por que o café chegou a esse preço
O preço recorde se explica pela combinação entre a variedade e o selo da competição: o geisha natural, de origem etíope, tem notas florais complexas e acidez delicada, e o lote entrou no leilão reservado aos vencedores recorrentes do Cup of Excellence.
Criado no Brasil em 1999, o Cup of Excellence é a principal competição de qualidade do setor cafeeiro. Produtores que vencem a prova por diversas vezes deixam de competir.
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Eles passam a oferecer seus lotes direto no Legends Auction, onde o preço reflete décadas de reputação, não apenas a safra do ano.
O SCAJ 2026 reuniu cafés de 12 países na disputa, entre eles Costa Rica, El Salvador, Honduras, Guatemala e Nicarágua, todos vinculados à ACE. O resultado da saca mineira foi o mais alto entre os lotes brasileiros apresentados.
O café é cultivado na Serra da Mantiqueira, região que concentra parte da produção de cafés especiais do Sul de Minas Gerais. A valorização de pequenos produtores mineiros de café vem puxando o interesse por lotes de origem única no mercado externo.
O resultado chega num momento de produção em alta no estado. Minas Gerais, maior produtor nacional, projeta safra recorde de café em 2026, com alta de cerca de 25% sobre o ciclo anterior.
A Fazenda Santuário Sul integra o circuito de produtores do Sul de Minas que participa de rodadas de prova e eventos do setor, caso da Festa Uai, festival de café especial na região, realizada em setembro.





























