O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no 2º trimestre de 2026, volume 20,7% menor que o do mesmo período de 2025. Foi a primeira queda para um 2º trimestre desde 2022, segundo análise da Serasa Experian divulgada nesta segunda-feira (19).
O indicador também recuou frente ao 1º trimestre deste ano, quando os pedidos somaram 474, uma queda de 5,5% entre os dois períodos.
Por que a queda pede cautela
"A retração nesse segundo trimestre registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores."
A avaliação é de Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian.
"Por isso, é importante acompanhar se essa redução será sustentada nos próximos trimestres", completou o executivo, lembrando que o ambiente segue desafiador, com custos elevados e crédito mais seletivo.
A cautela de Pimenta tem motivo: um ano antes, a mesma Serasa media o agro crescendo 66% em recuperação judicial, à frente até do varejo no país. Um trimestre de queda não apaga uma trajetória de meses de deterioração.
Onde os pedidos se concentram
O Mato Grosso, maior produtor de grãos, oleaginosas e gado do país, segue na liderança dos pedidos entre os estados.
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Por atividade, a soja, principal cultura do país, concentrou 70 pedidos no trimestre. A criação de bovinos veio em seguida, com 28.
Por tipo de produtor, os pedidos de pessoa física caíram 10,5% frente ao 2º trimestre de 2025, para 197. Os de pessoa jurídica recuaram mais, 34,2%, para 160.
O que acontece agora
A pressão pela dívida rural segue no radar da política: a Aprosoja cobra dos presidenciáveis um plano contra a dívida rural, hoje estimada em R$ 205 bilhões pela entidade.
A renegociação de R$ 100 bilhões em dívidas rurais, citada por produtores como travada, é outro ponto de atenção. Produtores reclamam que o processo não avança no ritmo esperado.
Um ano atrás, a mesma Serasa media o setor em trajetória oposta: o agro crescia 66% em recuperação judicial, à frente do varejo. A trégua de um trimestre ainda não permite falar em reversão.





























