Motoristas de ônibus da antiga empresa Transwolff iniciaram uma paralisação na manhã desta segunda-feira (19), afetando 267 mil passageiros na Zona Sul de São Paulo. Eles cobram a regularização de depósitos do FGTS e do INSS, além de melhorias em benefícios.

A paralisação atinge o lote D10, de ônibus azul-claros, com 34 das 67 linhas da região afetadas. O lote D11, de ônibus vinho, opera normalmente.

Por que a empresa está sob intervenção

A Transwolff não é uma empresa comum em disputa trabalhista: desde abril de 2024, sua gestão está sob intervenção da Prefeitura de São Paulo, depois que a Operação Fim da Linha apontou vínculos da empresa com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em dezembro de 2025, a Prefeitura decretou a caducidade do contrato da empresa, por causa dessas investigações. A Justiça chegou a suspender o decreto dias depois, mas a operação da linha já estava nas mãos da SPTrans desde 2024.

Em setembro deste ano, a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram a Operação Vectura Corrupta, com 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.

A investigação aponta que 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da cidade seriam controladas pelo PCC, entre elas a própria Transwolff, que operava 133 linhas e cerca de 1.100 ônibus.

Segundo a investigação, o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite é apontado como "dono de fato" da Transwolff. Ele chegou a ser preso em setembro, suspeito de gerir ônibus ligados ao PCC.

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Mensagens apreendidas pela polícia reforçaram a suspeita contra ele. O material colocou Milton Leite no centro do caso, segundo a investigação.

O que os passageiros enfrentam

A passageira Marina contou à TV Globo que precisou acordar o filho para conseguir chegar ao terminal de carro.

"Os pontos lá da minha casa para cá estão todos lotados, cheios de gente. O pessoal não tem como vir e o Uber está cobrando muito caro", disse.

"Não cheguei a ir para o ponto porque minha amiga me ligou e falou: 'Não tem ônibus'", completou Marina, que afirmou ter sido pega de surpresa pela paralisação.

Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade e a SPTrans repudiaram a paralisação, chamando-a de ilegal por falta do aviso prévio de 72 horas exigido para serviços essenciais.

Segundo a Prefeitura, os valores de INSS e FGTS estão depositados integralmente em juízo, aguardando decisão sobre sua destinação.

O ponto em aberto

A Prefeitura diz que paga os valores em juízo porque aguarda decisão judicial sobre quem deve recebê-los: a empresa sob intervenção ou os próprios trabalhadores.

Enquanto essa definição não sai, quem sente o efeito dos dois lados do problema, o desvio investigado pela polícia e o impasse jurídico sobre o dinheiro, é o motorista sem o FGTS regularizado e o passageiro sem ônibus para ir trabalhar.