Um estudo da Embrapa Milho e Sorgo com a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) identificou que moscas-sirfídeo ajudam a reduzir o pulgão-do-sorgo em lavouras de sorgo forrageiro de Minas Gerais. O levantamento foi feito ao longo de duas safras.
A pesquisa comparou áreas tratadas e não tratadas com defensivos químicos, com monitoramento semanal das pragas e dos insetos benéficos presentes nas lavouras.
Como funciona o controle biológico
As larvas das moscas-sirfídeo, também chamadas de moscas-das-flores, atacam diretamente os pulgões. Joaninhas da família Coccinellidae também ajudaram a conter a infestação nas áreas estudadas.
O resultado apareceu justamente nas áreas sem aplicação de inseticida, onde a preservação desses insetos predadores favoreceu o controle natural da praga. O pulgão-do-sorgo foi a praga mais frequente, com pico de ocorrência na fase vegetativa da cultura.
Temperatura e umidade do ar também alteram a dinâmica da praga. Segundo a pesquisadora Simone Mendes, da Embrapa Milho e Sorgo, a chuva tem o papel mais importante: ela derruba naturalmente a população do inseto.
Por que o pulgão-do-sorgo preocupa
Um levantamento nacional com produtores, publicado em 2023 na revista Entomological Communications por pesquisadores que incluem a própria Simone Mendes, dá a dimensão do problema: as maiores perdas chegaram a 20% da produção nas lavouras mais afetadas.
Manter os predadores naturais vivos na lavoura substitui parte da química sem abrir mão da produtividade, o que explica o interesse crescente dos produtores em métodos biológicos.
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O que isso significa para o produtor
Segundo os pesquisadores, esse tipo de manejo elimina parte da necessidade de aplicar defensivos, reduz o custo de produção sem perda de produtividade e favorece a sustentabilidade ambiental da lavoura.
A descoberta se soma a outras pesquisas recentes de controle biológico no Brasil, como a bactéria que reduz o nematoide da soja em 67,8%, e a bactéria que libera fósforo do solo.
Pesquisas desse tipo ganham espaço num momento em que a margem do produtor está mais apertada mesmo com safras recordes.





























