O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ampliou, em comunicado assinado pela secretária Brooke Rollins em 16 de outubro, o pacote de incentivos fiscais e crédito ao algodão americano, concorrente do Brasil, hoje maior exportador mundial da fibra com 34% do comércio global.

O pacote reforça o Great American Cotton Plan, lançado em junho e organizado em quatro eixos: ampliar o consumo doméstico de algodão, aumentar demanda e produção internas, melhorar o comércio da fibra e reduzir riscos de produção para os agricultores, segundo o USDA.

O programa de ajuste econômico para fábricas têxteis passa a pagar 5 centavos de dólar por libra de algodão processado, ante 3 centavos antes. A Working Families Tax Cuts Act também elevou para US$ 2,5 milhões o limite de dedução fiscal em maquinário agrícola.

Para a safra de 2026, a mesma lei elevou o preço de referência dos empréstimos de comercialização para US$ 0,55 por libra de algodão upland. O governo também somou 30 milhões de acres-base aos programas de proteção à renda dos produtores.

O que muda para o produtor brasileiro?

O efeito direto do novo pacote sobre o Brasil ainda é limitado, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). O país colheu 3,82 milhões de toneladas de pluma na safra 2025/26, queda de 10% ante o ciclo anterior.

Mesmo com a safra menor, o Brasil, que ultrapassou os Estados Unidos em 2023 e bateu recorde ao assumir a liderança mundial das exportações da fibra, manteve o ritmo de vendas.

Entre agosto de 2025 e julho de 2026, as exportações somaram 3,37 milhões de toneladas, com receita de cerca de US$ 5,3 bilhões, equivalente a 34% do comércio mundial da fibra.

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O avanço brasileiro veio mais cedo que o esperado: a meta de liderança global só era projetada para 2030.

"Num cenário internacional cada vez mais desafiador, aumentar a presença e as condições de acesso dos produtos brasileiros é estratégico", afirma Marcio Portocarrero, diretor executivo da Abrapa.

Fernando Rati, gerente do Programa Cotton Brazil, da mesma entidade, completa: "O foco deve ser em fortalecer a promoção do algodão brasileiro e ampliar nossa presença em mercados estratégicos."

A Abrapa afirma que o efeito direto das tarifas americanas sobre o setor é limitado, mas diz monitorar repercussões indiretas. A cautela vem em meio à ofensiva que levou o Brasil a buscar no G20 uma redução do tarifaço de 37,5% imposto pelos EUA.

O que acontece agora

A partir do ano fiscal de 2027, os Estados Unidos liberam US$ 285 milhões adicionais por ano para promoção comercial de produtos agrícolas, segundo o USDA. Do lado brasileiro, a Abrapa aposta na diversificação de mercados para sustentar o ritmo de vendas.

China respondeu por 29% dos embarques brasileiros em março, seguida por Índia e Bangladesh. A entidade defende ampliar alianças comerciais e já projeta volume recorde de exportação na safra 2026/27.