O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) subiu 1,76% em outubro, bem mais que a alta de apenas 0,08% registrada no mesmo mês de 2025, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). O índice acumula alta de 5,02% em 12 meses.

O resultado veio acima do esperado: economistas consultados pela Reuters projetavam alta de 1,44% para o mês. Em setembro, o índice já havia subido 1,47%.

Por que o índice acelerou

"A aceleração do IGP-10 em outubro foi puxada principalmente pelos preços ao produtor, com destaque para os avanços da gasolina automotiva", disse Matheus Dias, economista do FGV Ibre.

O Índice de Preços ao Produtor (IPA), que responde por 60% do IGP-10, subiu 2,36% no mês, acelerando frente aos 1,90% de setembro. "A alta também observada em produtos da cadeia da soja e em bovinos reforçou a alta do IPA", completou Dias.

O período de coleta do IGP-10 vai de 11 de setembro a 10 de outubro. Nessa janela, o petróleo Brent chegou a US$ 110 o barril, o maior valor desde maio, antes de recuar.

O preço médio do barril já tinha subido de US$ 91,08 em agosto para US$ 114,16 em setembro, alta de 25,3%.

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O mesmo choque de petróleo que pressionou o diesel no Brasil é, pela explicação do FGV Ibre, o principal motor da aceleração vista agora no índice de preços.

O que muda no bolso do consumidor

No consumidor, o movimento foi oposto: o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) desacelerou para 0,39%, ante 0,44% em setembro. Itens como café em grão e tarifa de eletricidade recuaram, mas não compensaram a alta de alimentos in natura, como tomate, batata-inglesa e cebola.

Quem sentiu o aperto foi o bolso de quem compra comida: a classe Alimentação saltou de 0,03% para 1,09% em um mês, a maior aceleração entre as oito categorias do índice.

O Boletim Focus do Banco Central, divulgado em 13 de outubro, também mudou de leitura. A projeção do IPCA (a inflação oficial) para 2026 subiu de 5,01% para 5,22%, a quarta alta consecutiva, e acima do teto de 4,5% da meta do governo.

Ao mesmo tempo, o mercado reduziu a estimativa da Selic para o fim do ano, de 13,50% para 13,25%.

Com a taxa hoje em 13,75%, isso significa que os economistas ainda esperam dois cortes de 0,25 ponto percentual, nas reuniões do Copom de novembro e dezembro.

O ponto em aberto

O Copom já havia avaliado, em sua última ata, que os efeitos dos juros altos sobre crédito e demanda vêm se acumulando aos poucos.

A pergunta que fica: a inflação de produtor, puxada pelo petróleo, vai migrar para o consumidor nos próximos meses? Ou esbarra nos juros ainda restritivos antes de chegar lá?