A Anvisa aprovou o registro do arpraziquantel, medicamento da Fiocruz para tratar a esquistossomose, popularmente chamada de barriga d'água, em crianças de 3 meses a 6 anos. É a primeira faixa etária tão jovem a ganhar um tratamento específico para a doença.

"Quando ingerido, o arpraziquantel é absorvido pelos vermes nos vasos sanguíneos do paciente e causa espasmos musculares e paralisia nos parasitas, o que interrompe sua fixação aos vasos sanguíneos", explica a Anvisa, em nota.

"O medicamento também danifica o tegumento, uma barreira que protege o parasita do sistema imunológico. Com isso, o corpo consegue destruir os vermes", completa a nota.

Quem corre risco de ter a doença?

Quem entra em contato com água doce contaminada por caramujos infectados pelos vermes Schistosoma mansoni ou Schistosoma haematobium corre o risco de se infectar.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, 1,5 milhão de pessoas vivem em áreas de risco, concentradas em 19 unidades federadas, principalmente no Nordeste e no Sudeste.

Lavar roupa em água contaminada, morar sem saneamento básico ou água potável e viver perto de caramujos transmissores são os principais fatores de risco. Entre 2009 e 2019, o Ministério da Saúde fez 9,8 milhões de exames e confirmou 423.117 casos no país.

Como a doença evolui sem tratamento?

Os sintomas demoram entre duas e seis semanas para aparecer após o contato com a água contaminada.

A doença tem uma fase aguda, nesse mesmo período, e uma fase crônica, que se manifesta meses ou anos depois e pode levar a complicações graves, incluindo morte em casos extremos.

O diagnóstico é feito por exame de fezes, que identifica os ovos do parasita. Para casos mais simples, já existia o Praziquantel, em dose única, distribuído de graça pelo SUS, mas sem indicação para crianças tão pequenas.

A Fiocruz, responsável pelo novo remédio, também está por trás de outras frentes de pesquisa no país, como a vacina de mRNA contra Covid-19 que a Anvisa autorizou a testar em agosto.

A aprovação do arpraziquantel segue um padrão recente da Anvisa. Em julho, a agência já havia aprovado um remédio para doença de Chagas infantil, outra doença tropical negligenciada que atinge principalmente populações pobres.

O que acontece agora

O medicamento aprovado passa a poder ser prescrito e distribuído no país para a faixa etária indicada. A esquistossomose segue classificada como doença tropical negligenciada, associada à falta de saneamento básico, cujos investimentos cresceram 51% após o novo marco legal.