Doze entidades médicas e científicas, entre elas a Febrasgo e a Sociedade Brasileira de Cardiologia, pediram à Anvisa nesta quinta-feira (1º) a proibição total dos implantes hormonais manipulados, os "chips da beleza", por falta de estudos que comprovem segurança e eficácia.
O manifesto foi divulgado durante o 20º Congresso Mundial de Menopausa, no Rio de Janeiro.
Assinam o documento, entre outras, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Internacional da Menopausa, a Febrasgo e a Sociedade Brasileira de Diabetes. O tema ecoa outra discussão recente sobre hormônios: a cobertura do DIU hormonal pelos planos.
Segundo as entidades, os implantes não passaram por estudos clínicos de qualidade capazes de comprovar os efeitos prometidos por quem os vende: alívio de sintomas da menopausa, emagrecimento, ganho de massa muscular e aumento da libido.
O documento lista uma série de riscos à saúde associados ao uso dos implantes:
- Comprometimento da proteção endometrial e mamária
- Risco cardiovascular e hepático
- Tromboembolismo e AVC
- Alteração do metabolismo lipídico
- Possível associação com câncer
- Efeitos colaterais persistentes, como acne, hirsutismo e alteração de voz
As entidades pedem a interrupção definitiva da manipulação, do comércio e da aplicação desses dispositivos, seja o uso clínico ou estético. Não há posicionamento público de fabricantes ou farmácias de manipulação sobre o pedido, nem prazo da Anvisa para decidir.
É a segunda vez neste ano que um grupo de sociedades médicas cobra da Anvisa a proibição total de um produto estético sem comprovação científica. Em junho, o CFM já havia pedido restrição total ao PMMA usado em procedimentos estéticos.
O que acontece agora
A Anvisa ainda não respondeu publicamente ao manifesto. A agência já havia sido questionada sobre o tema em junho, quando a controvérsia em torno dos implantes hormonais veio à tona, sem decisão até agora.






























