O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) suspendeu propagandas do governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD) e do candidato Patrus Ananias (PT) por darem tempo de tela excessivo a Zema e Lula, acima do limite legal para apoiadores.

Em uma propaganda de 30 segundos de Simões, o ex-governador Zema, hoje candidato à Presidência, apareceu por cerca de 20 segundos. A lei eleitoral reserva a apoiadores só 25% do tempo de cada peça, o equivalente a 7,5 segundos numa propaganda desse tamanho.

O TRE-MG deu 24 horas para Simões limitar a participação de Zema e corrigir o tamanho da janela de Libras, sob multa de R$ 5 mil por veiculação irregular.

No caso de Patrus, a fala do presidente Lula ocupou cerca de 16 segundos, o dobro do limite permitido, com pedido de voto direto e menção ao nome do candidato. O tribunal suspendeu a peça no formato atual, com notificação urgente às emissoras.

Os pedidos de suspensão partiram da campanha de Gabriel Azevedo (MDB), rival na disputa pelo governo de Minas, apresentados no fim de agosto. Nesta quarta-feira (16/9), em sabatina promovida pelo jornal O Tempo, Simões explicou a ausência de Zema em seu material de campanha.

A gente teve que tirar do ar o que tinha de material com a presença do Zema.

Segundo Simões, a decisão foi consequência das ações movidas por Gabriel Azevedo e por Alexandre Kalil (PDT), que questionaram o espaço dado a candidatos à Presidência na propaganda estadual.

Simões afirmou que Zema está "na agenda nacional" e só pode vir a Minas de forma proporcional aos outros presidenciáveis. "O presidente Lula teve três vezes no estado, o governador Zema já teve duas, vai estar mais duas", comparou.

O candidato à reeleição reafirmou que Zema "continua sendo, para mim, um líder político importante" e disse manter contato rotineiro com o ex-governador, mesmo com as agendas agora mais separadas.

O que acontece agora

Gabriel Azevedo, autor dos pedidos de suspensão, já havia criticado publicamente a proximidade entre Simões e Zema, e chegou a dizer que o ex-governador "traiu" a categoria policial durante sua gestão.

O caso reforça o desgaste em torno do uso de presidenciáveis na propaganda estadual mineira. Simões já havia questionado a proposta de isenção de IPVA de Cleitinho, num dos capítulos mais recentes da disputa pelo governo de Minas.